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Linfografia e Intervenção Linfática — Falha Linfática Pós-Fontan

v1.0 · 2026

Escopo deste protocolo Protocolo dedicado à avaliação e intervenção linfática em pacientes com circulação de Fontan e suas três principais manifestações de falha linfática: quilotórax refratário, enteropatia perdedora de proteínas (EPP) e bronquite plástica. Procedimento realizado em conjunto com Radiologia Intervencionista e Cirurgia Cardíaca, sob anestesia geral.

Anatomia e fisiologia do sistema linfático central

O sistema linfático devolve à circulação sistêmica 2-3 L/dia de linfa em condições basais — fluxo que pode aumentar até 30 vezes em estados patológicos. O duto torácico é o coletor central: drena toda a linfa abaixo da cintura, todo o hemicórpio acima da cintura à esquerda e parte da linfa hepática/intestinal, desembocando na junção jugular-subclávia esquerda (veia braquiocefálica esquerda). A cisterna do quilo, dilatação retroperitoneal anterior a L1-L2, é o ponto inicial do duto.

  • Variantes anatômicas frequentes: duto duplo (~8%), trajetos aberrantes, drenagem em veia ázigos, anastomoses linfovenosas extras
  • Propulsão linfática: contração intrínseca dos linfangions + bombeamento extrínseco (movimentos respiratórios e cardíacos)
  • Válvulas internas garantem fluxo centrípeto unidirecional
  • Em adultos saudáveis, o duto torácico tem ≤ 5 mm de diâmetro; valores superiores são patológicos

Fisiopatologia da falha linfática no Fontan

A circulação de Fontan se caracteriza por pressão venosa central cronicamente elevada (12-15 mmHg), fluxo pulmonar não-pulsátil e ausência de bomba subpulmonar. Esses três elementos atuam simultaneamente sobre o sistema linfático:

  • Aumento da produção de linfa (por desequilíbrio de Starling no leito hepático/intestinal pela congestão)
  • Aumento da pós-carga linfática (a alta pressão na veia inominada dificulta o esvaziamento do duto)
  • Dilatação progressiva do duto torácico e dos coletores, com incompetência valvular secundária e fluxo retrógrado para vias aberrantes (mediastino, pulmões, peritônio, duodeno)

Classificação angiográfica de Dori — perfusão linfática pulmonar

TipoPadrão de DCMRL/linfangiografiaImplicação
Tipo 1Duto patente com fluxo retrógrado em 1 ramo aberranteMais favorável a embolização seletiva
Tipo 2Duto patente com fluxo retrógrado em múltiplos ramosEmbolização seletiva multirramos
Tipo 3Duplo duto com o esquerdo suprindo os pulmõesEmbolização do duto aberrante
Tipo 4Oclusão completa do duto com fluxo retrógrado difuso pulmonarMais grave — pior prognóstico
Tipo 5Ausência de duto identificável com perfusão pulmonar difusaMuito raro, pior prognóstico

Indicações para avaliação linfática no paciente Fontan

  • Quilotórax refratário pós-Fontan (incidência 9-26%; mediana de diagnóstico no POD 5)
  • Enteropatia perdedora de proteínas (EPP) (5-12% pós-Fontan; cumulativa ~13% aos 10 anos)
  • Bronquite plástica (4-14% pós-Fontan)
  • Drenagem pleural prolongada > 14 dias (~22% dos pacientes pós-Fontan)
  • Derrame pleural ou pericárdico inexplicado tardio
  • Ascite quilosa ou não-quilosa (até 30% dos adultos com Fontan)
  • Falha multicompartimentalizada do Fontan (combinação tórax + abdômen + tecido subcutâneo)
Sinal precoce de risco no pós-operatório de Fontan Débito de dreno torácico > 18,8 mL/kg/dia no POD 2 tem sensibilidade 75,8% e especificidade 67,1% para desenvolvimento de quilotórax (AUC 0,73). Pacientes com este sinal devem ser avaliados precocemente e iniciar dieta MCT preventivamente.
Avaliação por imagem — sequência diagnóstica

1) RNM T2 estática (sem contraste)

  • Sequências T2 fortemente ponderadas, geralmente integradas à RNM cardíaca de rotina pós-Fontan
  • Identifica fluidos de movimento lento (linfa) — não-invasivo, sem radiação, sem contraste, sem sedação adicional
  • Avalia: dilatação do duto torácico, colateralização linfática, congestão periporta hepática, edema mesentérico
  • Classificação de Biko para anomalias linfáticas torácicas pós-Glenn/Fontan (Tipos 1-4): bilateral supraclavicular + extensão para parênquima pulmonar (Tipo 4) é preditor de falha de Fontan, transplante e óbito

2) Linfangiografia dinâmica por contraste em RNM (DCMRL)

Padrão atual para mapear o sistema linfático central e identificar vazamentos. Gadolínio macrocíclico injetado em compartimentos linfáticos distintos com aquisição time-resolved.

AcessoTécnicaRendimento
Intranodal inguinal (IN-DCMRL) Agulha 25G no hilo do linfonodo inguinal sob US; gadolínio 0,2 mL/kg em injeção lenta manual; dinâmica 10-15 min + sequências estáticas de alta resolução Mapa do duto torácico e perfusão pulmonar retrógrada (classificação Dori)
Intra-hepática (IH-DCMRL) Agulha 25G via ramo da veia porta sob US + confirmação fluoroscópica Conexões hepatoduodenais (EPP), hepatopulmonares (raras), hepatoperitoneais (ascite)
Intramesentérica (IM-DCMRL) Acesso a linfonodos ou ductos mesentéricos; tecnicamente exigente — sucesso ~93% Vazamentos peritoneais e mesentéricos em EPP

3) US com contraste (CEUS) — ferramenta complementar

  • Microesferas de hexafluoreto de enxofre — seguro em pediatria
  • Guia para acesso intranodal/intra-hepático, visualização da junção linfo-venosa, confirmação de patência do duto
  • Pode ser feito à beira-leito, sem radiação

4) Linfangiografia fluoroscópica convencional

  • Reservada a pacientes com contraindicação a RNM (marcapasso pacing-dependente, claustrofobia)
  • Agulha 22G Chiba na cisterna do quilo via abordagem transabdominal; contraste iodado ou Lipiodol
  • Opacificação central inferior ao DCMRL com contraste iodado
Linfangiografia diagnóstica intervencionista — sala de hemodinâmica

Sequência geral do procedimento

  1. Anestesia geral com IOT, monitorização invasiva
  2. US guia para identificação de linfonodo inguinal superficial bilateral
  3. Punção com agulha 25G no hilo do linfonodo
  4. Confirmação da posição: injeção teste de pequeno volume de contraste iodado em fluoroscopia ou microbubbles em US
  5. Injeção lenta manual do contraste (gadolínio para DCMRL ou Lipiodol/iodado em fluoro)
  6. Aquisição: dinâmica e estática
  7. Se acesso inguinal insuficiente, considerar acesso intra-hepático ou intramesentérico

Acessos avançados

TipoIndicação
Intra-hepático Suspeita de EPP — investigar conexões hepatoduodenais; também útil em quilotórax/bronquite com perfusão pulmonar de origem hepática
Intramesentérico EPP com vazamento peritoneal sem evidência hepatoduodenal clara
Lipiodol — precaução obrigatória Antes de usar Lipiodol (contraste oleoso), obrigatório rastreio de shunt direita-esquerda (D-E) — bolha test ao ECO ou microcontraste. Risco raro mas grave de embolia gordurosa paradoxal (incluindo AVC). Em pacientes Fontan com fenestração patente, considerar fechamento da fenestração ou usar contraste hidrossolúvel.
Acesso ao duto torácico
Acesso anterógrado transabdominal
Técnica clássica (Cope/Itkin). Agulha 22G via cisterna do quilo após linfangiografia inguinal opacificar o duto. Avanço de microfio e microcateter. Duto geralmente acessível com sucesso elevado em mãos treinadas.
Acesso retrógrado venoso
Via veia braquiocefálica/jugular esquerda até a junção linfo-venosa. Indicado quando o duto está obstruído ou inacessível pela cisterna. Permite angioplastia/stent de obstruções centrais.

Modelos animais (suínos) têm sido usados para padronizar técnicas de canulação anterógrada e retrógrada (literatura 2025-2026), expandindo o uso clínico em pediatria.

Embolização linfática — princípios e técnica

Embolização seletiva (técnica de Itkin) — preferida em pacientes Fontan

  • Princípio: selar apenas os ramos aberrantes/fístulas, preservando a patência do duto torácico central e a drenagem linfática fisiológica
  • Vantagem em Fontan: evita o risco de iniciar/agravar EPP e ascite secundária à oclusão completa do duto
  • Agentes: NBCA (n-butil cianoacrilato) diluído em Lipiodol (1:1 a 1:3), micro-coils, Onyx em casos selecionados
  • Técnica do segundo microcateter: em alguns serviços, posicionado no duto torácico com fluxo de glicose 5% durante a injeção do adesivo, para evitar carryover do adesivo para o duto central
  • Resultado publicado (Dori et al.): 88% de melhora clínica significativa; 15/17 pacientes descontinuaram medicações respiratórias após embolização para bronquite plástica

Embolização completa do duto torácico

  • Reservada a quilotórax pós-trauma cirúrgico não-Fontan
  • Evitar em pacientes Fontan — risco de EPP/ascite por oclusão da drenagem central
  • Agentes: coils + NBCA-Lipiodol

Embolização linfonodal com Lipiodol etiolizado

  • Lipiodol injetado diretamente em linfonodo inguinal — efeito esclerosante em pequenos vasos linfáticos
  • Menos invasivo, menor risco de embolia sistêmica vs Lipiodol intraductal
  • Relatos de sucesso em quilotórax refratário

Manejo do quilotórax pós-Fontan

Diagnóstico

  • Efusão pleural com triglicérides > 110 mg/dL em dieta plena (ou > 50 mg/dL em dieta MCT)
  • Linfócitos > 80% no líquido pleural
  • Quilomícrons positivos
  • Tempo mediano para diagnóstico: POD 5 (3-7)

Manejo escalonado

FaseConduta
Fase 1 (Dia 0-5) • Dieta modificada em gordura (DMG): alta proteína, baixa gordura LCT, MCT como fonte preferencial
• Reposição de albumina parenteral se < 2,5 g/dL
• Reposição de cálcio e imunoglobulina se déficits
• Drenagem pleural com quantificação diária
Fase 2 (Dia 6-14) Octreotida: 1-10 mcg/kg/h IV contínua (titulada) ou 5-10 mcg/kg SC 8/8h
• Sildenafil em casos selecionados (vasodilatação pulmonar — reduz pós-carga linfática)
• NPO + nutrição parenteral total se débito persistente alto
• Avaliar cateterismo cardíaco para descartar obstruções no circuito Fontan
Fase 3 (Dia 15+) • Quilotórax persistente apesar de manejo otimizado → linfangiografia diagnóstica + embolização seletiva
• Em Fontan: preferir técnica seletiva (Itkin), evitar oclusão completa do duto
• Pleurodese cirúrgica como último recurso

quilotórax pós-Fontan

Pós-Fontan: drenagem pleural > 14 dias OU triglicérides > 110 mg/dL no líquido pleural
Iniciar/manter dieta MCT + albumina/Ig se déficit
Quantificar débito diário (mL/kg/dia)
Adicionar octreotida 1-10 mcg/kg/h IV
Avaliar cateterismo Fontan para descartar obstruções
Resposta em 14 dias?
Manter manejo conservador
Reintroduzir dieta lentamente (4-6 semanas)
Retirar drenos quando possível
RNM linfática (T2 + DCMRL intranodal)
Classificação Dori
Linfangiografia diagnóstica + embolização seletiva (técnica de Itkin) com NBCA-Lipiodol
Preservar duto central
Resposta clínica em 2-4 semanas?
Continuar desmame de dreno e dieta
Seguimento ambulatorial
Reembolização
Considerar pleurodese cirúrgica
Avaliar candidatura a transplante

Manejo da Enteropatia Perdedora de Proteínas (EPP)

Diagnóstico

  • Alfa-1-antitripsina fecal elevada (gold standard): > 54 mg/dL ou clearance 24h > 24 mL/dia
  • Hipoalbuminemia, hipoproteninemia, hipogamaglobulinemia, hipocalcemia, linfopenia
  • Cintilografia com Tc-99m albumina sérica marcada (alternativo)
  • DCMRL: conexões hepatoduodenais com vazamento e realce da parede duodenal
  • Apresentação típica: edema, ascite, derrames; mediana 5 anos pós-Fontan; 30% manifestam-se até 5 anos pós-Fontan

Manejo escalonado

PilarConduta
Hemodinâmico • Cateterismo cardíaco para identificar e tratar obstruções no circuito Fontan (estenose de APs, anastomoses, veias pulmonares)
• Tratar obstruções com angioplastia / stent
• Vasodilatadores pulmonares (sildenafil) se RVP elevada
Nutricional • Dieta MCT alta proteína
• Reposição de albumina parenteral
• Imunoglobulina IV (hipogamaglobulinemia)
• Cálcio, ferro, vitaminas lipossolúveis (D, E, K)
Farmacológico Budesonida controlada-release 9 mg/dia VO (ação local na mucosa intestinal, baixa absorção sistêmica) — reverte EPP em proporção variável; melhor resposta em pacientes mais jovens
• Heparina não-fracionada subcutânea em alguns esquemas (reduz permeabilidade endotelial intestinal)
• Sildenafil se RVP/CVP elevadas
• Octreotida em casos selecionados
• Espironolactona / IECA com cautela (atenção ao fluxo mesentérico)
Intervencionista linfático Embolização seletiva de conexões hepatoduodenais identificadas no DCMRL
• Acesso preferencial: intra-hepático para mapear; embolização com NBCA-Lipiodol seletivo
• Preserva drenagem central — evita iatrogenia
Cirúrgico / avançado • Conversão de Fontan atriopulmonar para CCPT (mortalidade alta — apenas em refratários)
• Criação de fenestração ou alargamento de fenestração pré-existente
• Transplante cardíaco em EPP refratária (sobrevida imediata 88%, 10 anos 61%)

EPP pós-Fontan

Edema, hipoalbuminemia, alfa-1-antitripsina fecal elevada em paciente Fontan
Cateterismo cardíaco completo — identificar e tratar obstruções (angioplastia/stent)
Otimizar hemodinâmica
Dieta MCT + albumina + Ig + cálcio
Budesonida 9 mg/dia VO + considerar heparina/sildenafil
Resposta clínica em 4-12 semanas?
Manter terapia
Seguimento periódico (alfa-1-AT fecal, albumina)
RNM T2 + DCMRL (intranodal + intra-hepático)
Mapear conexões hepatoduodenais e mesentéricas
Embolização seletiva de fístulas hepatoduodenais (NBCA-Lipiodol)
Preservar duto central
Resposta clínica em 8-12 semanas?
Manter seguimento
Reabordagem se recidiva
Considerar fenestração / conversão Fontan / avaliação para transplante cardíaco

Manejo da Bronquite Plástica

Diagnóstico

  • Expectoração de casts (moldes brônquicos) de aspecto borrachoso — patognomônico
  • Tosse crônica, sibilância, dispneia, episódios obstrutivos agudos
  • Frequente diagnóstico inicial errôneo de asma ou pneumonia recorrente
  • Broncoscopia visualiza casts em árvore brônquica (não detectados por radiografia)
  • DCMRL: demonstra padrão de fluxo retrógrado pulmonar (Dori tipos 1-5)

Manejo escalonado

FaseConduta
Tratamento sintomático • Broncoscopia para remoção de casts em obstrução aguda
tPA inalado (ativador do plasminogênio): reduz peso dos casts expectorados
DNase (dornase-α) e N-acetilcisteína inaladas: redução da viscosidade
• Corticoide inalado
• Broncodilatadores (salbutamol)
• Fisioterapia respiratória intensiva
Otimização hemodinâmica • Cateterismo cardíaco para descartar obstruções no Fontan
• Vasodilatadores pulmonares (sildenafil)
Intervencionista linfático • Linfangiografia diagnóstica (DCMRL intranodal) — classificação Dori
Embolização seletiva dos ramos aberrantes do duto torácico com NBCA-Lipiodol (técnica de Itkin)
• Tipos Dori 1-2: melhor prognóstico para embolização
• Tipos Dori 4-5: técnica mais complexa, prognóstico reservado

bronquite plástica

Expectoração de casts brônquicos em paciente Fontan
(confirmar com broncoscopia se dúvida)
tPA inalado + DNase + corticoide inalado
Broncoscopia se obstrução aguda
Fisioterapia respiratória
Cateterismo cardíaco — descartar/tratar obstruções no Fontan
Vasodilatador pulmonar (sildenafil)
Resposta sintomática em 4-8 semanas?
Manter terapia inalatória
Seguimento próximo
Reabordagem se recidiva
RNM T2 + DCMRL intranodal
Classificação Dori da perfusão pulmonar retrógrada
Embolização seletiva dos ramos aberrantes (NBCA-Lipiodol — técnica de Itkin)
Preservar duto central
Resposta clínica em 4-12 semanas?
Desescalonamento de medicação inalatória
Seguimento
Reembolização
Avaliar candidatura a transplante cardíaco

Cuidados pós-procedimento

  • UTI ou unidade de cuidados intermediários por 24h
  • Monitorização hemodinâmica contínua (atenção a queda de SatO₂ — embolia gordurosa)
  • Avaliação respiratória — CPAP/VNI se hipoxemia leve; intubação se grave
  • Rx tórax + ECO em 24h
  • Reintrodução de dieta MCT progressiva conforme drenagem
  • Manter octreotida nas primeiras 72h se quilotórax
  • Profilaxia de TEV se imobilização prolongada
  • Profilaxia ATB perioperatória (cefazolina) — não é necessário curso prolongado

Complicações da intervenção linfática

As complicações se distribuem em três grandes grupos: (i) complicações da via de acesso (intranodal inguinal, cisterna do quilo, intra-hepático, intramesentérico); (ii) complicações dos agentes embolizantes (Lipiodol e NBCA); (iii) complicações específicas do alvo embolizado (em particular, embolização de conexões hepatoduodenais).

⚠️ Hemorragia digestiva alta após embolização hepatoduodenal / periduodenal

Complicação mais relevante e específica da embolização para EPP em paciente Fontan. Embora a maioria dos pacientes tenha apenas alterações endoscópicas leves, sangramentos significativos foram descritos e o reconhecimento precoce é essencial.

Mecanismos

  • Migração intraluminal do agente embolizante (NBCA ± Lipiodol) através da fístula linfático-duodenal já presente — o caminho do vazamento se inverte e a cola atinge a luz duodenal/jejunal
  • Erosão / inflamação da mucosa duodenal sobreposta a NBCA endurecido em contato com epitélio (efeito tóxico-inflamatório local)
  • Lesão por isquemia local da microcirculação peri-duodenal por glue — descrita em embolizações arteriais periduodenais como ulcerações pós-embolização (~30% das séries de embolização gastroduodenal por sangramento)
  • Coagulopatia de base da EPP (perda de proteínas da cascata da coagulação) potencializa qualquer sangramento mucoso
  • Reposição inadequada de fatores, plaquetas, antiagregantes/anticoagulantes em uso

Apresentação clínica

  • Melena (mais comum) — fezes escuras nas primeiras 24-72h pós-embolização
  • Hematêmese — em sangramentos mais altos ou volumosos
  • Queda do hematócrito/hemoglobina sem sinal externo evidente
  • Taquicardia, hipotensão ortostática, palidez
  • Dor abdominal/epigástrica nova ou desproporcional ao esperado
  • Pode ocorrer tardiamente (até 1-2 semanas) por úlcera secundária formada sobre o glue

Diagnóstico

  • Hemograma seriado (cada 4-6h nas primeiras 24-48h pós-procedimento)
  • Tipagem sanguínea + reserva de hemoderivados antes do procedimento
  • Endoscopia digestiva alta (EDA) precoce se sinais de sangramento — visualiza glue na luz duodenal, úlceras superpostas, mucosa pálida ou necrótica
  • Angio-TC se sangramento ativo importante e EDA não conclusiva

Conduta

  • Suporte hemodinâmico: 2 acessos calibrosos, cristaloide, hemoderivados conforme necessidade
  • Reposição agressiva de fatores (plasma fresco, complexo protrombínico se INR elevado), plaquetas se < 50.000, fibrinogênio > 150 mg/dL
  • IBP em dose plena (omeprazol 1-2 mg/kg/dose 12/12h IV) — não previne, mas reduz lesão mucosa secundária
  • Suspender AAS/anticoagulação até estabilização e reavaliação
  • EDA terapêutica se lesão ativa — clipes hemostáticos, injeção de adrenalina diluída, eletrocoagulação; raramente eficaz se sangramento difuso
  • Embolização arterial seletiva (gastroduodenal/pancreaticoduodenal) em casos refratários — pelo radiologista intervencionista
  • Cirurgia em último recurso — sangramento incontrolável

Prevenção

  • Otimizar coagulação pré-procedimento: albumina, plasma, vitamina K, plaquetas conforme necessidade
  • Suspender AAS/anticoagulação por tempo apropriado antes do procedimento (com discussão multidisciplinar)
  • Mistura NBCA-Lipiodol em proporção mais lenta (1:3 a 1:5) para reduzir penetração distal e permitir polimerização mais controlada na fístula alvo
  • Volume mínimo necessário de glue — interromper a injeção assim que ocluir o trajeto da fístula
  • Microcateter posicionado o mais distal possível dentro da conexão hepatoduodenal — evitar refluxo proximal
  • Avaliação endoscópica programada em 24-48h em pacientes de alto risco (coagulopatia, EPP grave) para diagnóstico precoce
  • Monitorização clínica e laboratorial intensiva nas primeiras 72h
  • Profilaxia farmacológica de proteção da mucosa gastroduodenal (ver tabela abaixo) — iniciar 24h antes do procedimento e manter por no mínimo 4-6 semanas

Profilaxia farmacológica — antiácidos / proteção de mucosa gastroduodenal

A inibição ácida deve ser iniciada 24h antes do procedimento e mantida por 4-6 semanas pós-embolização (até endotelização/cicatrização da fístula). IBP IV em dose plena é a primeira escolha; transição para via oral quando aceitar dieta. Em pacientes com EPP, considerar via IV ao longo de toda a fase aguda pela má absorção intestinal.

Classe / fármacoDose pediátricaDose adultoObservações
Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs) — 1ª escolha
Omeprazol Profilaxia: 1 mg/kg/dia VO 1x/dia (máx 40 mg)
IV: 1-2 mg/kg/dose 12/12h (máx 40 mg/dose)
Profilaxia: 40 mg VO 1x/dia
IV: 40 mg 12/12h (até 80 mg em dose de ataque)
Mais usado em pediatria; disponibilidade ampla
Pantoprazol 1 mg/kg/dose IV 12/12h (máx 40 mg/dose)
VO: 0,5-1 mg/kg/dia (máx 40 mg)
40 mg IV 12/12h (até 80 mg de ataque, depois 8 mg/h em BIC se sangramento ativo)
VO: 40 mg 1x/dia
Preferido em paciente crítico (estabilidade IV); BIC contínua se sangramento ativo
Esomeprazol 0,5-1 mg/kg/dia VO (máx 40 mg)
IV: 1 mg/kg/dose 12/12h (máx 40 mg)
40 mg VO/IV 1x/dia
(80 mg de ataque + 8 mg/h em BIC se sangramento ativo)
Equivalente clínico ao omeprazol
Lansoprazol 0,5-1,5 mg/kg/dia VO 1x/dia (máx 30 mg) 30 mg VO 1x/dia Alternativa oral; sem apresentação IV no Brasil
Bloqueadores H₂ — 2ª escolha (se IBP indisponível ou contraindicado)
Famotidina 0,5 mg/kg/dose VO/IV 12/12h (máx 20 mg/dose; 40 mg/dia) 20 mg VO/IV 12/12h (até 40 mg 12/12h) Atualmente o H₂ disponível mais usado (após retirada da ranitidina)
Ranitidina Retirada do mercado pela ANVISA por contaminação com NDMA — não usar. Não recomendada
Protetores tópicos de mucosa — adjuvantes
Sucralfato 40-80 mg/kg/dia VO divididos em 4 tomadas (6/6h) — máx 1 g/dose, 4 g/dia 1 g VO 6/6h (1 hora antes das refeições e ao deitar) Adjuvante tópico — forma barreira sobre úlcera. Administrar separadamente dos IBPs (intervalo ≥ 1h)
Hidróxido de magnésio + alumínio 0,5 mL/kg/dose VO 6/6h (máx 15 mL/dose) 15 mL VO 6/6h após refeições e antes de dormir Apenas alívio sintomático; não substitui IBP em profilaxia pós-embolização
Esquema recomendado em nosso serviço (paciente Fontan submetido a embolização hepatoduodenal)
  • D-1 (24h pré-procedimento): Pantoprazol 1 mg/kg IV 12/12h (ou Omeprazol equivalente)
  • Intra e pós-procedimento (primeiras 72h): manter IBP IV em dose plena. Em sangramento ativo: pantoprazol/esomeprazol 80 mg de ataque IV + 8 mg/h em BIC contínua por 72h (dose adulto; pediátrico 1-2 mg/kg de ataque + 0,1-0,2 mg/kg/h)
  • 72h - 14 dias: IBP IV 12/12h, transicionar para VO conforme tolerância à dieta
  • Semanas 2 a 6: Manter IBP VO 1x/dia em jejum (omeprazol 1 mg/kg ou pantoprazol 0,5-1 mg/kg)
  • Sucralfato 40-80 mg/kg/dia VO 6/6h como adjuvante a partir da reintrodução da dieta, manter por 4 semanas
  • Reintrodução de AAS/anticoagulação: discussão multidisciplinar; geralmente após 7-14 dias se sem sangramento, com IBP mantido em paralelo

HDA após embolização hepatoduodenal

Melena, hematêmese ou queda de Hb > 2 g/dL pós-embolização hepatoduodenal
2 acessos venosos + cristaloide
Cruzar sangue, plasma, plaquetas
IBP em bomba (omeprazol 1-2 mg/kg 12/12h IV)
Suspender AAS/anticoagulação
Corrigir coagulopatia: plasma, complexo protrombínico, plaquetas se < 50k, fibrinogênio > 150
Estabilidade hemodinâmica?
EDA precoce (24-48h)
Avaliar glue intraluminal, úlceras, lesão mucosa
Lesão ativa?
Manter IBP + suporte
Hemograma seriado
Reintroduzir dieta gradual
Hemostasia endoscópica:
clipes, adrenalina, eletrocoagulação
Angio-TC + arteriografia
Embolização arterial seletiva (artéria gastroduodenal/pancreaticoduodenal)
Cirurgia se sangramento incontrolável
(último recurso)
Atenção: paciente Fontan tem risco trombótico elevado A suspensão de anticoagulação/antiagregação durante o controle do sangramento aumenta o risco de trombose no circuito Fontan. Reintroduzir o mais precocemente possível (idealmente em 24-72h após estabilização) com discussão multidisciplinar entre cardiologia, hematologia e radiologia intervencionista.

Complicações da via de acesso

ComplicaçãoMecanismo / observaçõesConduta
Hematoma / lesão vascular inguinal Punção intranodal — rara com agulha 25G sob US Compressão, observação
Lymphocele inguinal Extravasamento por punção do hilo do linfonodo Geralmente autolimitada; raramente necessita aspiração
Hematoma retroperitoneal Punção transabdominal da cisterna do quilo — incidência geral de 0,06% em punções percutâneas, mortalidade 30-d aumentada 3,5x se ocorre Suporte hemodinâmico, transfusão, embolização arterial seletiva ou cirurgia se grande/expansivo
Lesão de aorta, VCI ou ramo arterial Punção transabdominal — rara com US/fluoro-guia Conforme órgão atingido — suporte, eventual cirurgia vascular
Lesão de alça intestinal / pâncreas Punção transabdominal — rara com agulha 22-25G Geralmente autolimitada; vigilância para peritonite ou pancreatite
Hemobilia Punção intra-hepática — rara; sangramento da via biliar para luz duodenal (melena, dor, icterícia) Geralmente autolimitada; embolização arterial seletiva (artéria hepática) se persistente
Hematoma intra-hepático Punção intra-hepática — mais comum em coagulopatia Observação; raramente necessita drenagem
Contaminação venosa portal pelo contraste Punção próxima a ramo portal — efeito clínico geralmente nulo, mas pode redirecionar Lipiodol/cola para circulação portal Confirmar posição da agulha em ramo linfático antes de injetar agente embolizante

Complicações dos agentes embolizantes — Lipiodol

ComplicaçãoFrequência / observaçõesConduta
Embolia pulmonar oleosa (assintomática) Comum (achado incidental em TC); habitualmente sem repercussão clínica se dose limitada Observação; resolução espontânea em dias-semanas
Embolia pulmonar oleosa sintomática Rara — risco maior se insuficiência respiratória prévia ou doses > 0,25 mL/kg de Lipiodol O₂, CPAP/VNI, IOT se grave; suporte por horas-dias
Embolia paradoxal cerebral / sistêmica (AVC) Muito rara mas grave — descrita em pacientes com shunt D-E (Fontan fenestrado, comunicação atrial residual). Caso publicado: embolismo cerebral por Lipiodol pós-embolização linfática para bronquite plástica Prevenção: rastreio obrigatório de shunt D-E pré-procedimento; oclusão da fenestração ou uso de contraste hidrossolúvel se shunt presente. Em caso de evento: suporte neurológico
Embolia sistêmica disseminada Raro caso publicado pós-linfografia para bronquite plástica em Fontan Suporte multissistêmico; evento sentinela para revisão de técnica
Limite de dose recomendado ~0,25 mL/kg, total 1-2 mL em pediatria, dividido entre os linfonodos inguinais Respeitar rigorosamente o limite

Complicações dos agentes embolizantes — N-butil cianoacrilato (NBCA)

ComplicaçãoFrequência / observaçõesConduta
Embolização não-alvo (non-target) Ocorrência mais comum; refluxo proximal ou progressão distal além do desejado Reduzir com técnica meticulosa: microcateter distal, mistura NBCA-Lipiodol 1:3 a 1:5, segundo microcateter no duto torácico para "wash-out" durante injeção
Embolia pulmonar de glue Rara — fragmentos podem atingir AP; geralmente assintomática Observação; raramente exige resgate endovascular
Cateter colado / retido Polimerização precoce dentro do microcateter Tracionamento controlado; raramente exige cirurgia
Necrose tecidual local Rara — relacionada a embolização excessiva ou de território único Suporte; antibiótico se infecção secundária
Reação inflamatória local Comum — dor abdominal transitória, febrícula, leucocitose leve nos primeiros dias Analgesia, observação; descartar infecção/abcesso se febre > 72h

Complicações específicas do duto torácico

ComplicaçãoFrequência / observaçõesConduta
Oclusão completa inadvertida do duto torácico Risco aumentado se não-utilizada técnica de proteção (segundo microcateter com fluxo de glicose) Em Fontan: alto risco de EPP/ascite secundária — vigilância clínica e laboratorial; eventualmente requerer revascularização linfática
Diarreia crônica Complicação tardia — descrita em ~14% após TDE convencional Suporte nutricional; geralmente lentamente progressiva
Edema crônico de membros inferiores Tardio — por reorientação de fluxo linfático periférico Compressão elástica; fisioterapia linfática
Trombose venosa central Raro — VCI/v. renal/pulmonar relacionado a manipulação cateter/glue Anticoagulação plena conforme protocolo de TVP; ver protocolo de TVP após acesso venoso
Coleção linfática perinéfrica / quilosa retroperitoneal Rara — extravasamento durante manipulação Geralmente autolimitada; raramente exige drenagem
Cisalhamento do fio-guia / dispositivo Rara — relacionada a tracionamento excessivo Resgate endovascular com snare

Complicações sistêmicas e gerais

ComplicaçãoConduta
Dor abdominal transitória (frequente, autolimitada) Analgesia simples; descartar perfuração/infecção se persistente
Hipotensão intra-procedimento Volume + vasopressor; rastrear sangramento oculto
Resposta inflamatória sistêmica (febre, mal-estar nos primeiros 1-3 dias) Sintomática; descartar infecção se prolongada
Reação alérgica ao contraste / Lipiodol Pré-medicação em pacientes com história prévia; tratamento padrão de reação anafilática
Falha técnica (impossibilidade de acesso ao duto, mistura inadequada, anatomia desfavorável) Reavaliar em 4-6 semanas com nova abordagem ou via alternativa

Resultados publicados

Quilotórax pós-Fontan

  • Tempo até resolução: 13 dias (10-24) com quilotórax vs 7 dias (5-11) sem (p < 0,001)
  • Cateterismo intervencionista necessário em 18,2% dos quilotórax vs 2,6% sem
  • Tempo de internação: 12 dias (10-20) vs 9 dias (7-12) (p < 0,001)
  • Dias em UTI: 7 (2-11) vs 4 (2-7,5) (p = 0,010)

EPP

  • Mortalidade histórica acumulada elevada (séries clássicas: ~50% em 5 anos pós-diagnóstico)
  • Resposta a embolização seletiva: dados ainda limitados, série pequena com melhora clínica significativa
  • Transplante cardíaco em EPP refratária: sobrevida imediata 88%, 10 anos 61%

Bronquite plástica

  • Embolização seletiva (Itkin et al.): 88% de melhora clínica significativa em série inicial; 15/17 pacientes descontinuaram medicações respiratórias
  • Mortalidade pré-embolização elevada; era pós-embolização: prognóstico significativamente melhorado

Seguimento ambulatorial

TempoAvaliação
1 semana Consulta + Rx tórax + ECO + albumina/proteínas/eletrólitos
1 mês Consulta + ECO; alfa-1-antitripsina fecal se EPP; avaliação respiratória se bronquite plástica
3 meses RNM T2 (ou DCMRL se dúvida) — avaliar resposta linfática
6 meses Avaliação clínica completa + laboratório + RNM
Anual Seguimento conjunto: cardiologia, gastroenterologia (EPP), pneumologia (bronquite), nutrição
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  • Manual de Hemodinâmica em Cardiopatias Congênitas — InCor HCFMUSP (protocolo institucional).
Aviso clínico Este protocolo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica e não substitui o julgamento individual do médico assistente. As intervenções linfáticas exigem equipe multidisciplinar (cardiologia intervencionista, radiologia intervencionista, cirurgia cardíaca, anestesia pediátrica, nutrição, gastroenterologia/pneumologia). Doses e técnicas devem ser sempre conferidas em fontes primárias e ajustadas ao paciente.