Introducao & Indicacoes
Stent em canal arterial (PDA stenting) como alternativa a derivacao cirurgica de Blalock-Taussig modificada (BTm) em RN com hipofluxo pulmonar canal-dependente.
Indicacoes principais
- Atresia pulmonar com septo integro (APSI) selecionada
- Atresia pulmonar com CIV (Tetralogia / APCIV)
- Hipoplasia do ventriculo direito
- Coracao univentricular com obstrucao a via de saida pulmonar (preparacao Glenn / Fontan)
- Anomalia de Ebstein severa com baixo fluxo pulmonar
Vantagens vs. BT modificado
Avaliacao Pre-procedimento
Triagem sistematica para reduzir incidencia de complicacoes.
Checklist anatomico (ECO + angio-TC)
- Origem, trajeto e tortuosidade do canal arterial (reto vs. tortuoso/Tipo III pior prognostico)
- Comprimento e diametro do canal (geralmente 7-12 mm x 2-4 mm)
- Confluencia das arterias pulmonares
Tipos anatomicos do canal arterial (classificacao por tortuosidade)
A classificacao do canal segundo sua tortuosidade orienta diretamente a viabilidade do implante endovascular.
Momento da indicacao - decisao por tipo anatomico + diametro
Avaliacao por ECO + angio-TC ou angiografia. Manter SatO2 minima permitida em 80%.
(queda de SatO2 > 10% ou SatO2 < 80%)
Religar PGE1 SOMENTE nas seguintes situacoes:
- Stent nao foi implantado
- Stent nao cobriu todo o canal e nao ha possibilidade de implantar novo stent
- Suspeita de disseccao do canal
- Suspeita de trombose do canal
Doses padrao de Prostaglandina E1 (Alprostadil)
| Situacao | Dose | Observacao |
|---|---|---|
| Inicio - canal em fechamento | 0,05 - 0,1 mcg/kg/min IV continuo | Reabertura em 15-60 min |
| Manutencao - canal aberto e estavel | 0,01 - 0,05 mcg/kg/min IV continuo | Menor dose efetiva |
| Reducao - canal > 4 mm em observacao | 0,005 - 0,01 mcg/kg/min IV continuo | Permite avaliacao da evolucao do canal |
| Resgate - reabertura emergencial | 0,1 mcg/kg/min IV continuo | Reduzir apos resposta clinica |
Planejamento do procedimento
Decisao da via de acesso vascular
Selecao do tamanho do stent
Selecao baseada em diametro e comprimento do canal medidos por angiografia / ECO.
| Parametro | Recomendacao |
|---|---|
| Diametro | 0,5 - 1 mm maior que o ponto de menor diametro do canal nativo Maximo permitido: 4,0 mm |
| Comprimento | Cobrir todo o canal: extremidade aortica ate a pulmonar (geralmente 7-15 mm) |
| Tipo | Stent coronario premontado (baixo perfil, flexivel) - ex: Multilink, Integrity, Onyx |
Fluxograma de selecao
Migracao / Embolizacao do Stent
Incidencia: 1-3%. Habitualmente embolizacao benigna - o stent eh deixado num vaso colateral mantendo o fluxo, sem necessidade de resgate cirurgico.
Fluxograma de manejo
Prevencao
- Selecionar stent com diametro 0,5-1 mm maior que o canal nativo
- Comprimento que cubra todo o canal (extremidade aortica ate pulmonar)
- Evitar superdilatacao no implante inicial
- Confirmar posicao com angiografia em pelo menos 2 incidencias
Trombose Aguda Intra-procedimento
Fluxograma de conduta
(SatO₂ > 75% sustentada)
(ver critérios abaixo)
Quando indicar trombólise com Alteplase
A decisão de usar trombolíticos é complexa porque pode comprometer cirurgia ou ECMO subsequentes nas 24-72h. Preferir trombólise cateter-direcionada (menor dose, menor risco sistêmico) sobre infusão sistêmica.
- Atresia pulmonar (sem fluxo anterógrado) + instabilidade
- Trombo fresco e oclusivo na angiografia
- Falha de manobras mecânicas (pós-dilatação, novo stent)
- Cirurgia/ECMO indisponíveis ou inviáveis
- Paciente com fluxo anterógrado e SatO₂ > 75% (preferir heparina + observação)
- Cirurgia maior nas últimas 7-10 dias
- Hemorragia ativa ou recente
- Plaquetopenia < 50.000/mm³ ou fibrinogênio < 100 mg/dL
- Prematuridade extrema (< 32 semanas)
Doses de Alteplase intra-procedimento
| Modalidade | Dose | Observação |
|---|---|---|
| Cateter-direcionada (preferencial) | Bolus 0,1-0,2 mg/kg via cateter no trombo + infusão 0,01-0,05 mg/kg/h por 6h máximo |
Menor dose total, menor risco sistêmico de sangramento. Permite ECMO/cirurgia subsequente com menor risco. |
| Sistêmica baixa-dose (alternativa) | 0,03-0,06 mg/kg/h IV contínuo por 6h | Se cateter-direcionada inviável |
Trombólise vs ECMO subsequente: o que diz a literatura
A crença histórica de que trombólise contraindica ECMO foi recentemente revisada:
- O Pediatric ECMO Anticoagulation Collaborative Consensus Conference (PEACE, 2024) concluiu que trombólise sistêmica recente NÃO é contraindicação absoluta para canulação de ECMO em pediatria.
- Estudos retrospectivos em ECMO V-A pós-trombólise sistêmica mostraram mortalidade em 90 dias e taxa de sangramento similares aos pacientes sem trombólise prévia.
- Em RN, a literatura recomenda trombólise cateter-direcionada sobre infusão sistêmica devido ao menor risco hemorrágico (menor dose total, efeito mais localizado).
Para cirurgia cardíaca após trombólise, o risco de sangramento aumenta significativamente nas primeiras 24-72h — portanto, se cirurgia é provável/iminente, evitar trombólise sistêmica e priorizar manobras mecânicas + ECMO como ponte.
Suporte com hemoderivados durante a trombólise
Manter:
- Fibrinogênio > 100 mg/dL (repor com crioprecipitado 5-10 mL/kg)
- Plaquetas > 50.000-100.000/mm³ (transfundir se necessário)
- Plasminogênio: considerar PFC 10 mL/kg antes de iniciar (RN tem níveis reduzidos)
- USG transfontanela antes e a cada 12-24h durante a infusão
- Hb/Ht a cada 6h + monitorização contínua de sangramento clínico
- McMichael ABV et al. Pediatric ECMO Anticoagulation Collaborative Consensus Conference. Pediatr Crit Care Med. 2024;25(7 Suppl 1):e103-e116.
- Monagle P et al. Antithrombotic Therapy in Neonates and Children (ACCP). Chest. 2012;141(2 Suppl):e737S-e801S.
- Albisetti M. Thrombolytic therapy in children. Thrombosis Research. 2006.
- Manlhiot C et al. Risk factors for thrombotic complications in children. Pediatrics. 2011.
- Cifra CL et al. Catheter-directed thrombolysis in neonates. Pediatr Cardiol. 2020.
Trombose Aguda do Stent (pós-implante 48-72h)
Incidência: 3-8% nas primeiras 48-72h. Maior risco em stents < 3,5 mm. Geralmente diagnosticada na UTI.
Reconhecimento e investigação inicial
Trombose do canal é critério explícito para religamento da PGE
Fluxograma de conduta — estratificada por fluxo anterógrado
(SatO₂ > 75% sustentada com PGE)
(ver critérios abaixo)
Quando indicar trombólise com Alteplase
Mesmos critérios da trombose intra-procedimento. A decisão de usar trombolíticos é complexa porque pode comprometer cirurgia ou ECMO subsequentes nas 24-72h. Preferir trombólise cateter-direcionada (menor dose, menor risco sistêmico) sobre infusão sistêmica.
- Atresia pulmonar (sem fluxo anterógrado) + instabilidade
- Trombo fresco e oclusivo na angiografia
- Falha de manobras mecânicas (angioplastia, novo stent)
- Cirurgia/ECMO indisponíveis ou inviáveis
- Paciente com fluxo anterógrado e SatO₂ > 75% (preferir só heparina + observação)
- Cirurgia maior nas últimas 7-10 dias
- Hemorragia ativa ou recente (incluindo HIC/IVH grau III-IV)
- Plaquetopenia < 50.000/mm³ ou fibrinogênio < 100 mg/dL
- Prematuridade < 32 semanas
- Encefalopatia hipóxico-isquêmica grave
Doses de Alteplase (rtPA) — Diretrizes pediátricas
Baseado em ASH 2018, ACCP/Monagle 2012, ISTH 2020 e PEACE 2024 para tromboses neonatais arteriais e relacionadas a stent.
| Modalidade | Dose | Duração |
|---|---|---|
| Cateter-direcionada (preferencial) Menor dose total, menor risco sistêmico |
Bolus 0,1-0,2 mg/kg em 10 min + infusão 0,01-0,05 mg/kg/h |
6-24h conforme angiografia |
| Sistêmica — dose baixa Quando cateter-direcionada inviável |
0,03 - 0,06 mg/kg/h IV contínuo | 6-12h, reavaliar a cada 6h |
| Sistêmica — dose padrão Trombo extenso ou refratário |
0,1 - 0,5 mg/kg/h IV contínuo (máximo 2 mg/kg/h) |
6h, reavaliar; até 96h se necessário |
| Heparina concomitante | 10 UI/kg/h (subterapêutica) durante a trombólise | Manter durante e após rtPA |
Trombólise vs ECMO subsequente: alinhamento com a literatura
Mesma evidência aplicada na trombose intra-procedimento — a crença histórica de que trombólise contraindica ECMO foi recentemente revisada:
- O Pediatric ECMO Anticoagulation Collaborative Consensus Conference (PEACE, 2024) concluiu que trombólise sistêmica recente NÃO é contraindicação absoluta para canulação de ECMO em pediatria.
- Estudos retrospectivos em ECMO V-A pós-trombólise sistêmica mostraram mortalidade em 90 dias e taxa de sangramento similares aos pacientes sem trombólise prévia.
- Em RN, a literatura recomenda trombólise cateter-direcionada sobre infusão sistêmica devido ao menor risco hemorrágico.
Para cirurgia cardíaca após trombólise, o risco de sangramento aumenta significativamente nas primeiras 24-72h — portanto, se cirurgia é provável/iminente, evitar trombólise sistêmica e priorizar manobras mecânicas + ECMO como ponte.
Suporte com hemoderivados durante a trombólise
Manter (mesmas referências da trombose intra-procedimento):
- Fibrinogênio > 100 mg/dL (repor com crioprecipitado 5-10 mL/kg)
- Plaquetas > 50.000-100.000/mm³ (transfundir se necessário)
- Plasminogênio: considerar PFC 10 mL/kg antes de iniciar (RN tem níveis reduzidos)
- USG transfontanela antes e a cada 12-24h durante a infusão
- Hb/Ht a cada 6h + monitorização contínua de sangramento clínico
- Fibrinogênio, plaquetas, TTPa e D-dímero a cada 4-6h
- Exame neurológico horário + Doppler/ECO do stent a cada 6h para avaliar recanalização
Quando acionar ECMO V-A e Blalock-Taussig modificado
Equipe cirúrgica e time de ECMO devem ser notificados já na suspeita de trombose, mesmo antes da confirmação angiográfica.
Critérios para acionamento de ECMO V-A
- Hipoxemia refratária: SatO₂ < 60% apesar de FiO₂ 1,0, NO inalado e PGE1 máxima
- Choque cardiogênico: hipotensão refratária a 2 ou mais inotrópicos em dose plena (adrenalina > 0,3 mcg/kg/min + milrinona)
- Acidose metabólica grave: pH < 7,15 — lactato > 6 mmol/L progressivo — BE < -10
- PCR ou pré-PCR: bradicardia < 60 bpm com má perfusão apesar de RCP/ressuscitação
- Necessidade de tempo: instabilidade que impede transporte seguro à hemodinâmica ou centro cirúrgico
ECMO permite bridge até o resgate endovascular ou a cirurgia definitiva. Canulação preferencial: jugular interna direita + carótida (V-A cervical) em RN.
Critérios para Blalock-Taussig modificado de salvamento
- Falha do resgate endovascular: incapacidade de recanalizar o stent após cateterismo + trombólise
- Falha da trombólise: ausência de recanalização após 6-12h de rtPA em dose plena
- Reoclusão precoce: retrombose após resgate inicial bem-sucedido
- Anatomia desfavorável para reabordagem: stent fraturado, deformado, com migração associada ou lesão vascular concomitante
- Contraindicação à trombólise + estabilidade para cirurgia: hemorragia, prematuridade extrema, pós-operatório recente
- Endocardite/sepse no stent: requer remoção do material protético
Anticoagulação — Esquema padrão de manutenção
| Fase | Droga | Dose |
|---|---|---|
| Intra-procedimento | Heparina não-fracionada | 50-100 UI/kg bolus, alvo TCA > 200s |
| Pós-procedimento (48-72h) | Heparina IV contínua | 10-25 UI/kg/h, alvo TTPa 1,5-2,5x |
| Manutenção (6 meses) | AAS | 3-5 mg/kg/dia VO |
| Alto risco trombótico | Clopidogrel | 0,2 mg/kg/dia (off-label) |
- McMichael ABV et al. Pediatric ECMO Anticoagulation Collaborative Consensus Conference (PEACE). Pediatr Crit Care Med. 2024;25(7 Suppl 1):e103-e116.
- Monagle P et al. Antithrombotic Therapy in Neonates and Children (ACCP). Chest. 2012;141(2 Suppl):e737S-e801S.
- Albisetti M. Thrombolytic therapy in children. Thrombosis Research. 2006.
- Manlhiot C et al. Risk factors for thrombotic complications in children. Pediatrics. 2011.
- Cifra CL et al. Catheter-directed thrombolysis in neonates. Pediatr Cardiol. 2020.
- ASH 2018 Guidelines for Management of Pediatric Venous Thromboembolism.
Disseccao / Ruptura do Canal Arterial
Fluxograma de manejo
Espasmo Ductal
Resposta vasoativa do canal durante manipulacao. Mais comum em RN > 7-10 dias de vida.
Fluxograma de manejo
Stent ainda nao implantado - criterio para religamento
Prevencao
- Manter bomba de PGE1 na sala pronta para religamento imediato (PGE eh suspensa por protocolo na chegada para permitir aposicao do stent)
- Minimizar manipulacao com guias e cateteres
- Considerar implante mais precoce em RN (idealmente < 14 dias) - canal mais responsivo a PGE
- Disponibilizar nitroglicerina diluida (10-100 mcg/mL) na sala
Hiperfluxo após implante de stent no canal arterial — dois fenômenos distintos
1. Roubo de fluxo aórtico (ductal steal): drenagem diastólica contínua da aorta para a circulação pulmonar de baixa resistência → hipotensão diastólica aórtica → fluxo diastólico reduzido ou reverso em leitos cerebral, mesentérico, renal e coronariano → baixo débito sistêmico, isquemia mesentérica (NEC), oligúria.
2. Congestão pulmonar por hiperfluxo: desequilíbrio do Qp:Qs com sobrecarga volumétrica do circuito pulmonar — raramente cursa com aumento expressivo das pressões esquerdas ou edema agudo de pulmão. A repercussão é mais por congestão crônica/subaguda do que por edema agudo, com taquidispneia e maior necessidade ventilatória.
Bases fisiopatológicas confirmadas em estudos Doppler que demonstram fluxo diastólico reduzido/reverso em vasos cerebrais e gastrointestinais em pacientes com shunt aorto-pulmonar significativo (Frontiers in Pediatrics, 2018; ScienceDirect 2025).
Reconhecimento clínico — diferenciar os dois fenômenos
- PA diastólica baixa (< 25 mmHg em RN)
- Pulsos amplos / saltitantes (PA divergente)
- Oligúria (< 1 mL/kg/h)
- Lactato elevado e acidose metabólica
- Sinais de NEC: distensão abdominal, intolerância à dieta, sangue nas fezes
- Perfusão periférica ruim, extremidades frias
- Doppler abdominal: fluxo diastólico reduzido ou reverso na aorta descendente, mesentérica e renal
- SatO₂ pode estar normal ou alta
- Taquidispneia, retrações
- Hepatomegalia (sinal de sobrecarga)
- Congestão pulmonar no Rx de tórax (padrão de hiperfluxo, não edema agudo)
- SatO₂ > 90-95% (paradoxalmente alta)
- Aumento da necessidade ventilatória (FiO₂, PEEP)
- Qp:Qs > 2 ao ECO
- Pressões esquerdas raramente elevadas de forma expressiva
Estratégia geral baseada em evidência — "shunt limitation"
A estratégia central nos dois fenômenos é reduzir o gradiente Ao→AP através de manobras que aumentam a resistência vascular pulmonar (RVP) e otimizam a entrega de O₂ aos tecidos. Esses princípios são bem estabelecidos no manejo do PCA hemodinamicamente significativo e se aplicam ao stent no canal arterial.
| Manobra | Mecanismo | Alvo |
|---|---|---|
| FiO₂ mínima | O₂ é vasodilatador pulmonar potente — minimizá-lo aumenta a RVP | FiO₂ 0,21 sempre que possível |
| Hipercapnia permissiva | CO₂ elevado aumenta a RVP; reduz o Qp:Qs | PaCO₂ 45-55 mmHg |
| PEEP otimizado | PEEP elevado reduz o retorno venoso e o pré-carga pulmonar | PEEP 5-7 cmH₂O (ajustar conforme ventilação) |
| Hematócrito mais elevado | Otimiza a entrega de O₂ aos tecidos sem aumentar volemia significativamente | Hb 13-15 g/dL / Ht 40-45% |
| SatO₂ alvo | Evitar hiperoxemia (vasodilata pulmão) | 85-90% pós-stent |
Conduta específica para cada fenômeno
Manejo do roubo de fluxo aórtico (foco em pressão diastólica e perfusão sistêmica)
- Suporte vasopressor: adrenalina (0,05-0,3 mcg/kg/min) ou noradrenalina (0,05-0,5 mcg/kg/min) são as drogas de escolha — elevam a PA diastólica e melhoram a perfusão sistêmica. A combinação inotrópica + vasoconstritora da adrenalina e a ação predominantemente vasoconstritora da noradrenalina aumentam a pressão diastólica aórtica e reduzem o gradiente para o circuito pulmonar.
- Dopamina não é a droga preferencial nesse contexto: tem efeito menos previsível na PA diastólica e pode causar taquicardia indesejada.
- Volume cauteloso (5-10 mL/kg de cristaloide) somente se hipovolemia documentada; não usar volume rotineiramente — pode agravar o hiperfluxo pulmonar.
- Otimizar Hb/Ht para 13-15 g/dL — melhora entrega de O₂ aos tecidos sem aumentar volemia.
- Monitorização rigorosa: débito urinário horário, lactato seriado, perfusão periférica, exame abdominal, Doppler abdominal seriado.
- Suspender ou reduzir dieta enteral se sinais de baixa perfusão mesentérica ou suspeita de NEC.
Manejo da congestão pulmonar por hiperfluxo (foco em reduzir Qp:Qs)
- Estratégia ventilatória: FiO₂ 0,21 + hipercapnia permissiva (PaCO₂ 45-55) + PEEP otimizado.
- Diurético: furosemida 1 mg/kg IV inicial; manutenção 0,5-1 mg/kg 8/8h conforme balanço. Cautela se há sinais de roubo de fluxo associado — não desidratar o paciente.
- Restrição hídrica moderada (100-120 mL/kg/dia inicialmente, ajustar conforme balanço).
- SatO₂ alvo: 85-90% (não > 90%).
- Suporte ventilatório (VNI ou VMI) conforme necessidade.
Fluxograma integrado de decisão
OU Noradrenalina 0,05-0,5 mcg/kg/min
Volume cauteloso se hipovolêmico
adrenalina/noradrenalina para PA diastólica
+ diurético em dose menor
+ Ht otimizado
- Hundscheid T et al. Circulatory Insufficiency and Hypotension Related to the Ductus Arteriosus in Neonates. Front Pediatr. 2018;6:62.
- Sathanandam S et al. Patent Ductus Arteriosus Stenting for All Ductal-Dependent Cyanotic Infants. Circ Cardiovasc Interv. 2020.
- Sallmon H et al. Current approaches to the patent ductus arteriosus: Implications for pulmonary morbidities. Semin Fetal Neonatal Med. 2025.
- Bischoff AR et al. Duct Stenting in Duct-Dependent Systemic Blood Flow, Past, Present, and Future. Pediatr Cardiol. 2024.
- Schranz D et al. Stenting the Patent Ductus Arteriosus: A Meta-analysis. 2024.
- Singh Y et al. Guideline Diagnosis and Management of Shock in Neonates. 2022.
- Demirel G et al. An Update on Pharmacologic Management of Neonatal Hypotension. Children (Basel). 2024;11(4):490.
- Boucek MM et al. Modified Microvascular Plug Implantation to Reduce Pulmonary Blood Flow. JSCAI. 2023 (técnica experimental — não estabelecida).
Distorcao / Estenose de Ramo Pulmonar
Tipicamente APE (arteria pulmonar esquerda) por jato direto ou compressao pelo stent.
Fluxograma
Prevencao
- Evitar protrusao do stent na confluencia das APs
- Mapear angiograficamente o jato ductal antes do implante
- Stents mais curtos quando o canal e tortuoso e desemboca proximo da APE
Reestenose Intra-stent
Hiperplasia neointimal - ocorre em 30-50% dos casos em 4-6 meses.
Fluxograma
Endocardite / Sepse Relacionada
Risco aumentado pela presenca de corpo estranho intravascular. Profilaxia obrigatoria.
Fluxograma diagnostico
Complicações de Acesso Vascular — Perda de Pulso
→ Abrir protocolo completo de Perda de Pulso
Resumo rápido — referência
O protocolo independente cobre detalhadamente:
- Fatores de risco (lactente < 1 ano, < 10 kg, introdutores de maior calibre)
- Prevenção (USG-guiado, heparinização 100-150 UI/kg, ACT > 100)
- Avaliação (em sala + leito 2h + 5 P's da isquemia aguda)
- Fluxograma de conduta com reavaliações em 2h e 24h
- Doses de Heparina UFH (bolus 50 UI/kg + manutenção 20-28 UI/kg/h)
- Doses de Enoxaparina (1,5 mg/kg < 2 meses; 1,0 mg/kg > 2 meses) + ajustes por anti-Xa
- Trombólise com Alteplase (cateter-direcionada preferencial; quando indicar)
- Indicações cirúrgicas (trombectomia em casos refratários)
- Outras complicações de acesso (hematoma, sangramento, pseudoaneurisma, fístula AV, espasmo)
Nefropatia Induzida por Contraste
Aumento >= 0,3 mg/dL de creatinina ou reducao de 25% da TFG em 48-72h.
Fluxograma
Embolia Paradoxal / AVC
Risco aumentado por shunts D-E intracardiacos. Pode ser embolico ou trombotico.
Fluxograma
Medicacoes & Doses
Resumo pratico das principais drogas no manejo perioperatorio.
Drogas vasoativas e suporte
| Droga | Dose | Indicacao |
|---|---|---|
| Prostaglandina E1 | 0,01-0,1 mcg/kg/min IV | Manter canal aberto pre e pos-stent |
| Heparina nao-fracionada | 50-100 UI/kg bolus, 10-25 UI/kg/h | Anticoagulacao |
| Protamina | 1 mg / 100 UI heparina (max 50 mg) | Reverter heparina |
| rtPA | 0,1-0,5 mg/kg em 30 min (sistemico) | Trombolise de stent |
| AAS | 3-5 mg/kg/dia VO | Antiagregacao manutencao |
| Clopidogrel | 0,2 mg/kg/dia VO | Antiagregacao dupla (alto risco) |
| Adrenalina | 0,05-0,5 mcg/kg/min IV | Choque, baixo debito |
| Milrinona | 0,25-0,75 mcg/kg/min IV | Disfuncao VD, baixo DC |
| Oxido Nitrico | 5-40 ppm inalado | HAP, hipoxemia refrataria |
| Furosemida | 1 mg/kg IV q6-12h | IC / hiperfluxo |
| Captopril | 0,1-0,3 mg/kg VO 3x/dia | Pos-carga, IC cronica |
| Cefazolina | 30 mg/kg IV pre + q4h x 24h | Profilaxia ATB |
| Vancomicina | 60 mg/kg/dia IV q6h | Endocardite por MRSA |
Drogas de emergencia - PCR
| Droga | Dose |
|---|---|
| Adrenalina (PCR) | 10 mcg/kg IV/IO (0,1 mL/kg de 1:10.000) |
| Atropina | 0,02 mg/kg (min 0,1 mg, max 0,5 mg) |
| Adenosina | 0,1 mg/kg, repetir 0,2 mg/kg (max 6 mg / 12 mg) |
| Amiodarona | 5 mg/kg IV em 20-60 min |
| Bicarbonato | 1 mEq/kg IV se acidose grave |
Referencias e Diretrizes
Bibliografia base para este protocolo.
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