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Fechamento Percutâneo de CIA — Criança

v2.0 · 2026

Escopo deste protocolo Este protocolo é específico para pacientes pediátricos com peso ≥ 15 kg portadores de CIA tipo ostium secundum. Pacientes adultos serão abordados em protocolo dedicado (ver portal). Pacientes com peso < 15 kg só são considerados para fechamento percutâneo em casos individualizados, com discussão multidisciplinar.

Indicação

A CIA na infância é tipicamente assintomática. A indicação de fechamento é baseada em critérios anatômicos e hemodinâmicos ao ecocardiograma, e não em sintomas.

Critérios para indicação

  • CIA tipo ostium secundum com:
    • Sobrecarga de cavidades direitas ao ETT — dilatação de AD e VD acima do percentil esperado para a superfície corpórea
    • Qp:Qs ≥ 1,5 (estimado por ECO ou medido por cateterismo se necessário)
  • Idade preferencial: ≥ 4-5 anos (após janela de fechamento espontâneo)
  • Peso preferencial: ≥ 15 kg (compatibilidade segura com bainha 8-14 F e perfil dos dispositivos atuais)
Por que peso ≥ 15 kg? O perfil das bainhas de liberação dos dispositivos (8-14 F) e as dimensões absolutas do átrio esquerdo limitam o uso seguro em crianças menores. Em < 15 kg, a relação disco esquerdo/AE é frequentemente desfavorável, o trauma vascular é maior e a chance de impacto em estruturas adjacentes (válvulas, parede livre, veias pulmonares) aumenta substancialmente.

Contraindicações

  • CIA não-secundum (ostium primum, seio venoso inferior, seio coronário) — indicação cirúrgica
  • CIA seio venoso superior — avaliar oclusão via cateterismo em pacientes > 30 kg*
  • Defeito muito grande (> 38 mm) ou com bordas insuficientes em múltiplas posições
  • Hipertensão pulmonar irreversível (Eisenmenger, Qp:Qs < 1)
  • Trombo intracardíaco ou endocardite ativa
  • Drenagem venosa pulmonar anômala associada — requer correção cirúrgica, exceto em CIA seio venoso superior com drenagem anômala da veia pulmonar superior direita, em que a drenagem pode ser redirecionada para o AE pelo stent recoberto (ver protocolo dedicado)
  • Átrio esquerdo pequeno sem espaço para acomodar o disco esquerdo do dispositivo planejado

* Em pacientes pediátricos com peso > 30 kg, a oclusão percutânea da CIA seio venoso superior com stent recoberto na junção VCS-AD pode ser considerada (ver protocolo dedicado). Em < 30 kg, a abordagem permanece cirúrgica.

Avaliação ecocardiográfica transtorácica (ETT)
Princípio do serviço Em crianças, a avaliação pré-procedimento ambulatorial é feita exclusivamente por ETT (eventualmente complementado por ECO 3D transtorácico). O ecocardiograma transesofágico (ETE) é realizado intra-procedimento, sob a mesma anestesia geral, evitando submeter a criança a dois procedimentos com sedação/anestesia separados.

Ecocardiograma transtorácico (ETT)

  • Identificação do tipo de CIA (ostium secundum vs outros)
  • Diâmetro do defeito em múltiplas projeções (subcostal eixo curto e longo, paraesternal eixo curto, 4 câmaras)
  • Avaliação das bordas — janelas subcostais são particularmente úteis na criança
  • Sobrecarga de cavidades direitas (AD, VD), z-score do diâmetro de VD
  • Movimento paradoxal do septo interventricular
  • Função ventricular direita
  • Estimativa de PSAP por refluxo tricúspide
  • Identificação das veias pulmonares e descarte de drenagem venosa anômala
  • Dimensão do átrio esquerdo (diâmetro ântero-posterior e diâmetros médio-laterais) — fundamental para o planejamento
ETE intra-procedimento — guia da intervenção

Realizado sob a mesma anestesia geral do procedimento. Substitui a avaliação pré-procedimento e guia toda a intervenção. O ETE é o padrão em pediatria — a anestesia geral já é mandatória para o procedimento, o que torna o ICE menos vantajoso nesta faixa etária.

Objetivos do ETE intra-procedimento

  1. Confirmar tipo da CIA (ostium secundum) e descartar drenagem venosa pulmonar anômala
  2. Medir o defeito em múltiplas projeções (4 câmaras 0°, eixo curto da válvula aórtica 30-60°, bicaval 90-110°)
  3. Avaliação detalhada das bordas (ver tabela)
  4. Pesquisar múltiplos defeitos e septum aneurismático
  5. Medir o átrio esquerdo em todos os eixos para confirmar acomodação do disco esquerdo
  6. Avaliar função das válvulas AV (mitral e tricúspide)
  7. Guiar a passagem do fio-guia através da CIA até a veia pulmonar superior esquerda
  8. Guiar o sizing balloon (técnica de stop-flow)
  9. Guiar a liberação do dispositivo e confirmar posição estável após tug test (push-pull)
  10. Confirmar oclusão e descartar shunt residual significativo
  11. Descartar derrame pericárdico ao final do procedimento
Avaliação das bordas ao ETE — critério de elegibilidade

Borda ≥ 5 mm = adequada. Borda 1-5 mm = deficiente. Borda < 1 mm = ausente. A borda mais frequentemente deficiente é a aórtica (anterossuperior), presente em até 40-50% dos casos.

BordaJanela ETEO que avaliar
Aórtica (anterossuperior) Eixo curto da válvula aórtica (30-60°) Distância da margem do defeito até a parede da aorta. Deficiência aumenta o risco de erosão.
Posterossuperior (VCS) Bicaval (90-110°) Distância até a embocadura da veia cava superior
Posteroinferior (VCI) Bicaval (90-110°) Distância até a embocadura da veia cava inferior
AV (atrioventricular) 4 câmaras (0°) Distância até a inserção das válvulas mitral e tricúspide
Posterior (atrial) Eixo curto / 4 câmaras Distância até a parede atrial posterior
Borda aórtica deficiente A ausência ou deficiência da borda aórtica é o principal fator de risco para erosão cardíaca (complicação mais grave). Deficiência isolada da borda aórtica não contraindica o procedimento, pois o disco do dispositivo se acomoda sobre a raiz aórtica, mas exige técnica cuidadosa, evitar oversize e seguimento próximo. Deficiência de múltiplas bordas (aórtica + posterior, ou aórtica + posterossuperior) configura risco elevado e é indicação de discussão multidisciplinar.
Dispositivos disponíveis

Em nossa rotina pediátrica utilizamos duas próteses:

DispositivoCaracterísticasTamanhos
Amplatzer Septal Occluder
Abbott — anteriormente AGA Medical / St. Jude
Auto-expansível, dois discos de nitinol unidos por uma cintura central, preenchido com poliéster. Padrão histórico de referência, com a maior experiência mundial e seguimento de mais longo prazo em pediatria. Cintura: 4-38 mm
GORE Cardioform Septal Occluder
W. L. Gore & Associates
Estrutura de nitinol em filamentos, totalmente recoberta por ePTFE. Perfil mais baixo e maior conformabilidade ao septo. Recolocável e re-inserível antes da liberação. Tem melhor perfil em CIAs dinâmicas e em bordas anteriores deficientes. 27, 32, 37, 44, 48 mm
(diâmetro do disco)
Quando preferir cada dispositivo
  • Amplatzer: primeira escolha na maioria das CIAs ostium secundum com bordas adequadas. Mais robusto em CIAs grandes e com septum espesso.
  • GORE Cardioform: preferido quando há borda aórtica deficiente, septum aneurismático ou CIA dinâmica, pelo perfil mais conformável e pela menor incidência de erosão descrita em séries pediátricas dedicadas.
Seleção do tamanho do dispositivo — tamanho da CIA e do átrio esquerdo

Em pediatria, a escolha do dispositivo deve considerar dois eixos: o tamanho do defeito (diâmetro estirado / "stretched diameter") e as dimensões do átrio esquerdo, que devem acomodar o disco esquerdo sem impacto sobre estruturas vizinhas.

1) Tamanho da CIA — diâmetro estirado (stop-flow)

  • Sizing balloon insuflado lentamente até que o shunt cesse ao Doppler color (técnica stop-flow)
  • Mede-se o diâmetro do balão na cintura formada pelo defeito (em projeções angulares e ao ETE)
  • Em CIAs simples, com bordas adequadas e ECO 3D detalhado, o sizing balloon pode ser dispensado

2) Regra de oversize

Regra de oversize
  • Com stop-flow: +1 a +2 mm sobre o diâmetro estirado (stop-flow)
  • Sem stop-flow (medida ao ETE/ECO em repouso):
    • +20% sobre o diâmetro estático em septo rígido
    • +25% sobre o diâmetro estático em septo fino ou aneurismático

3) Dimensão do átrio esquerdo — disco esquerdo precisa caber

O disco esquerdo do Amplatzer é maior do que a cintura. Antes de escolher o tamanho final, é mandatório confirmar que o eixo maior do AE comporta o disco esquerdo com folga.

Cintura Amplatzer (mm) Diâmetro do disco esquerdo (mm) Eixo maior mínimo do AE recomendado
4-10cintura + 12≥ disco esquerdo + 2-3 mm
11-22cintura + 12 a 14≥ disco esquerdo + 2-3 mm
24-32cintura + 14≥ disco esquerdo + 2-3 mm
34-38cintura + 14≥ disco esquerdo + 2-3 mm

Valores aproximados — consultar a IFU do dispositivo para a versão atual em uso.

Risco de impacto sobre estruturas adjacentes do AE Em crianças com AE pequeno em relação ao disco esquerdo, há risco de:
  • Compressão sobre a parede livre do AE e da raiz aórtica (fator de erosão)
  • Impacto em veias pulmonares direitas
  • Interferência mecânica com a válvula mitral em CIAs próximas à borda AV
Quando o disco esquerdo do Amplatzer se aproxima dos limites do AE, considerar o GORE Cardioform (perfil mais baixo) ou indicar via cirúrgica.

Cuidados pós-procedimento

  • Repouso no leito por 6h, depois mobilização progressiva
  • Observação intra-hospitalar por 24h
  • Telemetria por 24h em casos selecionados
  • ECO transtorácico em 24h — descartar trombos, confirmar posição do dispositivo, descartar shunt residual significativo. Avisar a equipe da Hemodinâmica em caso de derrame pericárdico ou alterações.
  • ECG e Rx de tórax antes da alta
  • AAS 3-5 mg/kg/dia VO por 6 meses + Clopidogrel 1 mg/kg/dia por 1-3 meses em CIAs grandes com dispositivos Cardioform > 44 mm
  • Profilaxia de endocardite por 6 meses pós-procedimento (recomendação AHA)
  • Restrição de esportes de contato por 1 mês
  • Alta hospitalar após 24h se sem complicações

Complicações principais

⚠️ Erosão cardíaca — complicação mais grave

Detalhes — fisiopatologia, fatores de risco, apresentação, conduta e prevenção

Incidência ~0,1-0,3% (séries pediátricas e mistas), porém com mortalidade significativa se não reconhecida precocemente. Maioria dos relatos com Amplatzer; relatos isolados com Cardioform.

Fisiopatologia

Atrito mecânico crônico do disco do dispositivo sobre o teto do átrio (junção AE/AD com a raiz aórtica) leva a erosão progressiva da parede atrial e/ou da raiz aórtica, evoluindo para perfuração e tamponamento cardíaco ou fístula aorto-atrial. A maioria dos casos clínicos surge nas primeiras 72 horas, mas há descrições até 5 anos pós-implante.

Fatores de risco (Amin 2004; McElhinney 2016; Moore 2013)

  • Borda aórtica ausente ou deficiente em múltiplos planos — fator mais consistentemente associado
  • Borda posterossuperior deficiente
  • Defeito dinâmico (variação ≥ 50% do diâmetro durante o ciclo cardíaco)
  • Septo mal alinhado (malalinhamento septal)
  • Oversize do dispositivo em CIA com bordas frágeis
  • CIAs grandes (> 25-30 mm) em pacientes pequenos
  • Disco esquerdo desproporcionalmente grande para o AE

Apresentação clínica

  • Dor torácica súbita visceral / "fisgada"
  • Hipotensão / instabilidade hemodinâmica
  • Sinais de tamponamento: distensão jugular, pulso paradoxal, abafamento de bulhas
  • Síncope ou pré-síncope
  • Derrame pericárdico ao ECO — sinal mais precoce e mais sensível
  • Em casos de fístula aorto-atrial: sopro contínuo novo, IC progressiva

Diagnóstico

  • ECO transtorácico imediato diante de qualquer dor torácica, hipotensão ou síncope no pós-procedimento — derrame pericárdico é o sinal de alarme
  • ETE ou angiotomografia se ETT não conclusivo
  • Avaliar posição do dispositivo, integridade da parede atrial e da raiz aórtica, presença de fístula aorto-atrial

Conduta

  • Reconhecimento precoce — reduz mortalidade dramaticamente
  • Pericardiocentese de emergência se tamponamento (estabilização)
  • Cirurgia cardíaca de emergência — toracotomia, retirada do dispositivo, sutura/patch da perfuração e fechamento cirúrgico da CIA
  • ECMO V-A pode ser ponte até a cirurgia em casos instáveis

Prevenção

  • Avaliação criteriosa das bordas ao ETE intra-procedimento — deficiência multibordas: discutir cirurgia
  • Não oversize excessivo do dispositivo
  • Considerar GORE Cardioform em casos com borda aórtica deficiente e/ou septum aneurismático
  • ECO 24h pós-procedimento obrigatório — derrame pericárdico precoce é alerta máximo
  • Acompanhamento ambulatorial rigoroso com ECO seriado nos primeiros meses
  • Orientar a família sobre sinais de alarme tardios (dor torácica nova, dispneia, síncope) — procurar atendimento imediato

suspeita de erosão

⚠️ Paciente assintomático com derrame pericárdico novo — avisar a equipe da Hemodinâmica e sempre considerar erosão até que se prove o contrário
Dor torácica súbita / hipotensão / síncope no pós-implante
Avisar equipe da Hemodinâmica em Cardiopatias Congênitas + Cirurgia Cardíaca de plantão
ECO transtorácico imediato à beira-leito + monitorização contínua + acesso venoso calibroso
Há derrame pericárdico?
Investigar outras causas (arritmia, vasovagal, isquemia)
Manter vigilância clínica e ECO seriado por 24-48h
ETE ou angio-TC
(localizar perfuração, posição do dispositivo)
Cirurgia cardíaca — retirada do dispositivo + sutura/patch da perfuração + fechamento cirúrgico da CIA
Pericardiocentese de emergência (estabilização)
Cirurgia cardíaca de emergência
ECMO V-A se instabilidade refratária como ponte
Sinal de alerta crítico Qualquer derrame pericárdico novo ou crescente nos primeiros dias/semanas pós-fechamento percutâneo de CIA deve ser considerado erosão até prova em contrário. Avaliação cirúrgica imediata.

⚠️ Embolização do dispositivo

Detalhes — incidência, fatores de risco, localizações, prevenção
  • Incidência: 0,5-1,5% em séries pediátricas. Ocorre nas primeiras horas/dias após o implante
  • Fatores de risco: subdimensionamento, borda inadequada, septum aneurismático, anatomia atrial deformada, técnica de liberação inadequada
  • Localizações comuns: AD, AE, ventrículos, aorta descendente
  • Prevenção: tug test rigoroso (push-pull) antes da liberação; confirmação ecocardiográfica de discos paralelos ao septo

embolização do dispositivo

Dispositivo deslocado / não visível em posição septal ao ETE ou fluoroscopia
OU instabilidade hemodinâmica súbita pós-liberação
Avisar Cirurgia Cardíaca + manter sedação/intubação
Bolus volume + suporte hemodinâmico
Localizar dispositivo: fluoroscopia + ETE
(AD, VD, AP / AE, VE, aorta)
Paciente estável? Anatomia favorável ao resgate percutâneo?
Trocar para bainha longa de maior calibre (≥ 12-14 F)
Resgate com snare/laço gooseneck pela ponta de microparafuso
Resgate bem-sucedido?
Reavaliar anatomia
Decidir entre novo dispositivo (maior) ou cirurgia eletiva
Cirurgia cardíaca — extração + fechamento cirúrgico da CIA
Cirurgia cardíaca de emergência
(retirada + fechamento cirúrgico da CIA)
ECMO se instabilidade refratária

Bloqueio AV (BAV)

  • Incidência: 0,5-1%. Mais frequente em CIAs próximas ao nó AV ou com dispositivo grande em criança pequena. Geralmente transitório e reversível
  • Mecanismo: compressão / inflamação local sobre o sistema de condução
  • Conduta:
    • BAV de 1º grau ou Mobitz I: observação
    • BAV de alto grau ou BAV total: corticoide IV, monitorização contínua, suspender ASS/Clopidogrel se sangramento associado
    • BAV total persistente > 7-14 dias: marcapasso definitivo (raro)
    • Casos selecionados refratários: retirada cirúrgica do dispositivo

⚠️ Trombose sobre o dispositivo

Detalhes — incidência, apresentação, fatores de risco
  • Incidência: < 1% com antiagregação adequada. Mais comum nos primeiros 3-6 meses, antes da endotelização completa
  • Apresentação: assintomática (achado em ECO de seguimento) ou eventos embólicos sistêmicos (AVC, isquemia periférica)
  • Fatores de risco: má aderência à dupla antiagregação, dispositivo grande, septum aneurismático, estado pró-trombótico (síndrome nefrótica, infecção sistêmica, trombofilia)

trombose sobre o dispositivo

Massa ecodensa aderida ao dispositivo no ECO de seguimento
OU evento embólico sistêmico (AVC, isquemia)
Confirmar diagnóstico: ETE ou angio-TC
Avaliar tamanho, mobilidade e localização do trombo
Investigar fatores predisponentes:
aderência à AAS/Clopidogrel, infecção, síndrome nefrótica, trombofilia
Evento embólico sistêmico atual?
Anticoagulação plena:
Heparina IV (TTPA 1,5-2x) → Enoxaparina 1 mg/kg 12/12h SC
(controle anti-Xa 0,5-1,0 U/mL)
Manter dupla antiagregação
ECO seriado a cada 2-4 semanas
Reavaliação em 3-6 meses
Suspender anticoagulação
Manter AAS isolada até endotelização
Discussão multidisciplinar
Considerar cirurgia (extração + fechamento cirúrgico da CIA)
Heparina IV imediata + Neuro/Vascular
Discussão multidisciplinar urgente: anticoagulação prolongada vs cirurgia
Trombo grande/móvel ou novos eventos sob anticoagulação:
cirurgia cardíaca (extração do dispositivo + fechamento cirúrgico)

Arritmias atriais

  • Geralmente transitórias, mais frequentes na 1ª semana pós-procedimento
  • Em pediatria, predominam ESSV e taquicardia atrial focal; FA é incomum em crianças
  • Conduta: conforme tipo, geralmente conservadora. Episódios sintomáticos sustentados → considerar antiarrítmico ou ablação

Shunt residual

  • Pequenos shunts são frequentes nas primeiras semanas com fechamento progressivo conforme endotelização
  • Shunt significativo persistente > 6-12 meses com sobrecarga de cavidades direitas: avaliar implante de segundo dispositivo

Complicações de acesso vascular

Trombose femoral, perda de pulso, hematoma, pseudoaneurisma — ver protocolo dedicado de Perda de Pulso após Cateterismo.

Seguimento ambulatorial

TempoAvaliação
24h pós-procedimento (alta) ECO transtorácico, ECG, Rx de tórax — atenção a derrame pericárdico
1 semana ECO + consulta — vigilância para derrame pericárdico tardio (erosão precoce)
1 mês Consulta + ECO — confirmar posição, oclusão, ausência de derrame
6 meses Consulta + ECO — confirmar oclusão completa, regressão da sobrecarga de cavidades direitas. Suspender AAS se oclusão completa. Liberar profilaxia ATB.
1 ano Consulta + ECO — alta cardiológica de rotina se sem alterações
Anos seguintes Consulta anual nos primeiros 3-5 anos. Após esse período, seguimento espaçado.
Referências bibliográficas — pediátricas
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  • Moore J, Hegde S, El-Said H, et al; ACC IMPACT Steering Committee. Transcatheter device closure of atrial septal defects: a safety review. JACC Cardiovasc Interv. 2013;6(5):433-42.
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  • AHA Scientific Statement: Indications for cardiac catheterization and intervention in pediatric cardiac disease. Circulation. 2011;123:2607-52.
  • Manual de Hemodinâmica em Cardiopatias Congênitas — InCor HCFMUSP (protocolo institucional).
Aviso clínico Este protocolo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica e não substitui o julgamento individual do médico assistente. Doses, técnicas e tipos de dispositivos devem ser sempre conferidos em fontes primárias e ajustados ao paciente. Atualizações periódicas são recomendadas.