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Fechamento Percutâneo de Canal Arterial — Prematuro / Criança < 5 kg (Piccolo)

v2.0 · Maio 2026 · enriquecido com Sathanandam 2021, Iowa Score, PLCS 2024

Indicações e contraindicações

Indicações — critérios McNamara/Sehgal

PCA hemodinamicamente significativo em prematuro/lactente que falhou ou tem contraindicação ao tratamento clínico (paracetamol, ibuprofeno, indometacina), com critérios ecocardiográficos:

  • Diâmetro ductal > 1,5 mm
  • Fluxo transductal pulsátil não-restritivo
  • Sobrecarga de cavidades esquerdas (AE:Ao > 1,5)
  • Fluxo diastólico reverso em aorta descendente / artéria mesentérica superior / artéria cerebral média / artéria renal

Critérios técnicos (FDA / consenso 2020)

  • Peso ≥ 700 g
  • Idade ≥ 3 dias de vida
  • Anatomia favorável: comprimento do PCA ≥ 3 mm, diâmetro mínimo ≤ 4 mm
  • Necessidade ventilatória persistente, IC com hiperfluxo pulmonar refratário
  • Alternativa à ligadura cirúrgica (que carrega morbidade significativa neste grupo)

Contraindicações

  • Absolutas: peso < 700 g, idade < 3 dias, sepse ativa, PCA < 3 mm de comprimento ou > 4 mm de diâmetro mínimo, hipertensão pulmonar irreversível, instabilidade hemodinâmica grave que impeça transporte/procedimento
  • Relativas: trombose venosa femoral/ilíaca, coagulopatia não corrigida, anatomia ductal complexa não-tubular
Tendência epidemiológica (NRN Network 2012-2021) Ligadura cirúrgica caiu de 8,4% para 2%; fechamento percutâneo subiu de 0,8% para 4,8% no mesmo período. O Piccolo passou a ser alternativa de primeira linha não-farmacológica em centros experientes (Kaluarachchi et al., J Pediatr 2024).

Apresentação clínica e fisiopatologia

Fisiopatologia

  • Shunt esquerda-direita pelo PCA → ↑ fluxo pulmonar → congestão pulmonar
  • Roubo diastólico sistêmico → hipoperfusão de mesentério, rim, cérebro
  • Associações: prolongamento de ventilação assistida, hemorragia pulmonar, displasia broncopulmonar (DBP), insuficiência renal, enterocolite necrosante (NEC), hemorragia intraventricular (HIV)

Apresentação clínica

  • Sopro contínuo em região infraclavicular esquerda (pode estar ausente em prematuro extremo)
  • Pulsos amplos
  • Pré-cordio hiperativo
  • Necessidade ventilatória persistente / falha em desmamar do CPAP/ventilador
  • Hepatomegalia, edema, baixo débito urinário
  • Hipotensão diastólica

Anatomia ductal típica do prematuro

A morfologia do PCA do prematuro difere significativamente da do lactente/criança maior — característica que justifica um dispositivo dedicado:

  • Forma tubular-elongada (tipo F de Krichenko modificada — não classificável nos tipos A-E originais)
  • Comprimento maior (geralmente 5-10 mm)
  • Constrição na extremidade pulmonar (oposto da anatomia conical clássica)
  • Ampola aórtica menos definida ou ausente
  • Tecido ductal mais friável e suscetível a lesão
Implicação clínica Dispositivos clássicos (ADO I, ADO II) não se adaptam bem a essa anatomia. O Amplatzer Piccolo foi especificamente desenhado para essa morfologia — perfil baixo, intraductal, sem protrusão para aorta ou artéria pulmonar.

Iowa Modified PDA Score

O Iowa Modified PDA Score quantifica a repercussão hemodinâmica do shunt e ajuda a definir indicação de fechamento. Score ≥ 6 = shunt de volume moderado (indicativo de PCA hemodinamicamente significativo).

Parâmetro0 pontos1 ponto2 pontos
Aorta descendente E/OU tronco celíaco / ACMfluxo anterógradofluxo reduzidoReverso
Relação débito VE/VD (LVO:RVO)< 1,51,5 - 2,5> 2,5
IVRT — tempo de relaxamento isovolumétrico (ms)> 5030 - 50< 30
Onda D da veia pulmonar (cm/s)< 0,30,3 - 0,5> 0,5
AE:Ao< 1,31,3 - 2,2> 2,2
Onda E mitral (cm/s)< 4545 - 80> 80
Tamanho do PCA indexado ao peso (kg)< 1,51,5 - 3> 3
Interpretação Score ≥ 6 = shunt moderado a importante → indicação de fechamento (após falha do tratamento clínico).
Atenção: coarctação juxtaductal "oculta" Em alguns casos, o fluxo pelo PCA mascara uma coarctação leve. Após o fechamento, ela pode se tornar clinicamente significativa. Avaliar gradiente em istmo aórtico ANTES e DEPOIS do fechamento.
Avaliação pré-procedimento

Clínica e laboratorial

  • Avaliação clínica completa: peso atual, idade gestacional corrigida, dependência ventilatória, sinais de IC
  • Hemograma + coagulograma + função renal + tipagem sanguínea
  • Reserva de hemoderivados disponível
  • Avaliar acesso vascular periférico

Ecocardiograma transtorácico (essencial)

  • Medidas precisas do PCA: diâmetro mínimo, diâmetro aórtico, diâmetro pulmonar, comprimento
  • Avaliação do shunt: direção, velocidade, padrão (contínuo, restritivo)
  • Repercussão hemodinâmica: dimensão de AE/VE, função ventricular, sinais de hipertensão pulmonar
  • Anomalias associadas: coarctação, anomalia de retorno venoso, defeitos septais
  • Anatomia para o procedimento: trajetos venosos, compatibilidade do calibre venoso com cateter 4 Fr

Equipe multidisciplinar

A literatura (Sathanandam 2021, Consensus Guidelines) enfatiza que a abordagem em prematuros/ELBW exige equipe multidisciplinar coordenada:

  • Cardiologia intervencionista pediátrica
  • Neonatologia (manejo do prematuro durante e após o procedimento)
  • Anestesiologia pediátrica/neonatal
  • Imagem cardiovascular (ECO intra-procedimento)
  • Equipe de enfermagem da hemodinâmica e da UTI Neonatal
Local do procedimento — sala de hemodinâmica vs. beira-leito UTIN
Sala de Hemodinâmica
  • Padrão estabelecido inicial
  • Recursos completos: fluoroscopia, equipamento de ressuscitação, ECMO disponível
  • Requer transporte do prematuro (risco de instabilidade)
  • Equipe acostumada com fluxograma da sala
Beira-leito UTIN (modalidade emergente)
  • Evita transporte (especialmente importante em < 1 kg)
  • Realizado com guia ecocardiográfico exclusivo ou ECO + fluoroscopia móvel
  • Curva de aprendizado significativa
  • Resultados comparáveis aos da sala de hemodinâmica em séries publicadas
  • Requer equipe e logística dedicadas
Considerações sobre transporte do prematuro Em prematuros extremos (< 1 kg), o transporte para a sala de hemodinâmica pode ser deletério (hipotermia, instabilidade hemodinâmica, perda de acessos). A modalidade beira-leito reduz esses riscos, mas exige experiência da equipe e estrutura tecnológica (ECO de qualidade, fluoroscopia móvel se utilizada).

Dispositivo Amplatzer Piccolo — características e sizing

CaracterísticaEspecificação
Material Malha de nitinol auto-expansível, formato trilobado
Tamanhos disponíveis 3×2 mm, 3×4 mm, 4×2 mm, 4×4 mm, 5×4 mm, 5×6 mm, 6×4 mm, 6×6 mm
Sistema de entrega Cateter Amplatzer TorqVue LP 4 Fr (perfil baixo, compatível com veia femoral de prematuro)
Acesso Apenas venoso femoral (não requer acesso arterial — vantagem crítica em prematuros)
Recuperabilidade Recapturável e reposicionável antes da liberação definitiva

Sizing — duas tabelas distintas (Sathanandam 2021)

CenárioPosicionamentoPrincípio de sizing
Infante ≤ 2 kg Intraductal (todo o dispositivo dentro do canal, ambos os discos) Diâmetro dos discos ≥ 50% maior que o diâmetro mínimo ductal
Infante > 2 kg Extraductal (waist central cobre o canal, discos nas ampolas) Diâmetro do waist central ≥ 50% maior que o diâmetro mínimo ductal

Regras práticas adicionais

  • < 1 kg: preferir dispositivo de comprimento 2 mm sempre que possível (menor compressão de estruturas adjacentes)
  • PCA longo (≥ 12 mm) em ≤ 2 kg: dispositivo de 4 mm de comprimento pode dar melhor estabilidade, eventualmente com diâmetro menor (ex.: 3×4 mm ao invés de 4×2 mm)
  • Se ECO e angiografia divergirem no diâmetro: usar a maior das duas medidas
  • Disco em formato de "bola de futebol" (football) = dispositivo provavelmente grande demais; trocar por um número menor

Técnica modificada Sathanandam (2021) — passo a passo

A técnica modificada abandonou o acesso arterial (vantagem crítica em prematuro) e usa abordagem anterógrada transvenosa guiada por ECO transtorácico + fluoroscopia.

Preparação

  • Anestesia geral com IOT, mesa aquecida, soro/contraste aquecidos
  • Bainha 4 Fr na veia femoral direita (sob US guidance)
  • Heparina 50-100 UI/kg após acesso (TCA alvo ~200 s) — alguns centros não heparinizam
  • Antibioticoprofilaxia: cefazolina 25-30 mg/kg IV
  • Termômetro esofágico posicionado ao nível do istmo aórtico (landmark fluoroscópico)
  • ECO transtorácico intra-procedimento contínuo

Etapas

  1. Cateterismo direito anterógrado com cateter Multipurpose 4 Fr e guia 0,014" — atravessar AD → VD → AP → PCA → aorta descendente
  2. Angiografia em projeção lateral pura (90°) com técnica de pullback — começar injeção em istmo aórtico e puxar até AP, visualizando o PCA inteiro num só ciclo
  3. Confirmar medidas pelo ECO pré-instrumentação (instrumentação pode causar espasmo ductal e subestimar o diâmetro)
  4. Posicionar o Piccolo orientado a "10 horas" na fluoroscopia lateral (regra de orientação coaxial ao eixo longo do canal)
  5. Em ≤ 2 kg: desplegar o disco aórtico DENTRO do canal (não na aorta descendente) — para evitar protrusão. Pode ser necessário "empurrar e empacotar" para deixar tudo intraductal
  6. Verificar antes de liberar (ECO + fluoroscopia):
    • Posição coaxial ao canal, "10 horas"
    • Sem protrusão na aorta nem na APE
    • Velocidade Doppler em aorta descendente < 2 m/s
    • Velocidade Doppler em APE < 2 m/s
    • Shunt residual: se passa através do dispositivo = OK; se passa ao redor = subdimensionado, recapturar
  7. Soltar o dispositivo com 1/8 de volta anti-horária para destravar (sem desparafusar completamente)
  8. Após release, NÃO empurrar o cateter ou guia — risco de embolização tardia
  9. Manter monitorização em sala por alguns minutos antes de retirar a bainha
  10. Hemostasia femoral por compressão manual + curativo compressivo
Critério de sucesso técnico Dispositivo intraductal estável (em ≤2 kg) ou extraductal (em >2 kg), sem obstrução em aorta (Doppler < 2 m/s, gradiente médio < 20 mmHg) nem em APE (< 2 m/s, < 35 mmHg), shunt residual ausente ou apenas através da malha do dispositivo.

Kit de resgate (Sathanandam 2021)

Sempre disponível na sala antes de iniciar o procedimento.

Bainhas de resgate

  • 4 Fr Cook Flexor Ansel Guiding Sheath (45 cm, 0,018" ou 0,035") — recupera todos os tamanhos do Piccolo
  • 5 Fr Cook Flexor Ansel (alternativa)

Cateteres diagnósticos

  • 4 Fr Terumo Glidecath MP / JB1 / Angle
  • 4 Fr Merit Performa Judkins Right (JR2.0 ou JR2.5)

Snares

  • Amplatz Gooseneck 5 mm, 7 mm, 10 mm
  • 3,2 Fr Merit Ensnare (compatível com Mongoose 3,3 Fr)
  • PFM Multi-snare 5 mm
Importante O cateter TorqVue LP 4 Fr (de implante) NÃO recaptura o Piccolo confiavelmente. Sempre usar bainha de resgate dedicada.

Cuidados pós-procedimento

  • Retorno à UTI Neonatal — manter monitorização contínua
  • ECO transtorácico imediato (na sala) e em 24h — confirmar posição, descartar obstrução aórtica/pulmonar e regurgitação tricúspide
  • Avaliar pulsos pediosos / temperatura do membro — controle 2/2h nas primeiras 24h (ver protocolo de Perda de Pulso se alteração)
  • Manejo respiratório — geralmente desmame ventilatório progressivo após resolução do shunt
  • Manejo hídrico — restrição hídrica habitual + diuréticos conforme balanço (suspender se desidratação)
  • Antiagregação: a literatura é variada. Em prematuros, geralmente não se faz AAS de rotina (risco hemorrágico, IVH). Considerar caso a caso.
  • Profilaxia de endocardite por 6 meses
  • ECO de seguimento em 1 semana, 1 mês, 6 meses
Vigilância para SPLC (Síndrome pós-ligadura cardíaca) Nas primeiras 24h. Apesar de mais comum após cirurgia (15%) do que após cateterismo (~0%), manter atenção. Ver seção de complicações.

Complicações principais

Frequência (Sathanandam 2020 — pivotal trial Piccolo, n=200)

ComplicaçãoIncidência geralEm ≤ 2 kg
Sucesso de implante95,5%99%
Embolização do dispositivo2,5%2,8% (range 0-8,3%)
Obstrução aórtica clinicamente significativa1,2%1,2%
Obstrução de APE clinicamente significativa1,2%1,2%
Regurgitação tricúspide nova3,1%3,1%
Lesão cardiovascular0,9%0,9%
Mortalidade relacionada ao procedimento0,6%0,6%

Embolização vs. Migração vs. Protrusão (Sathanandam 2021)

TermoDefiniçãoConduta
EmbolizaçãoDispositivo viaja inteiro do PCA para outro local intravascularResgate endovascular obrigatório; cirurgia se falha
MigraçãoDispositivo desloca-se mas permanece parcialmente no canalPode ou não exigir resgate, depende da repercussão
ProtrusãoApós liberação, parte do dispositivo projeta para aorta ou APEConduta depende do grau de obstrução resultante

Obstrução aórtica iatrogênica

  • Complicação mais grave neste grupo. Decorre da protrusão do dispositivo na aorta descendente
  • Mais frequente em prematuros muito pequenos (proporção dispositivo/aorta desfavorável)
  • Reconhecimento: aumento súbito do gradiente pós-implante ao ECO; PA diferencial entre membros superiores e inferiores
  • Incidência: ~1-2% nos estudos com Piccolo (geralmente identificada na sala e corrigida com reposicionamento)

obstrução aórtica iatrogênica

Suspeita: gradiente novo em aorta descendente ao ECO ou diferencial de PA MMSS > MMII
ECO transtorácico imediato (ainda em sala se possível)
+ medir gradiente pulsátil em aorta descendente
Magnitude do gradiente
Observação
ECO seriado em 24h, 1 sem, 1 mês
Geralmente regride com crescimento somático
Reposicionamento intra-procedimento se ainda não liberado
OU acompanhamento próximo se já liberado e estável
Recapturar e reposicionar (se ainda não liberado)
OU angioplastia/stent aórtico em segundo tempo
Cirurgia (retirada) se refratário

Estenose de APE (artéria pulmonar esquerda)

  • Risco menor com Piccolo do que com ADO I (dispositivo é intraductal), mas ainda possível
  • Reconhecimento: gradiente / aceleração ao Doppler em APE
  • Decorre de protrusão do dispositivo para a luz da APE ou de distorção anatômica

estenose de APE

Suspeita: aceleração de fluxo / gradiente novo em APE ao Doppler pós-implante
ECO 2D + Doppler — medir gradiente pico em APE
Confirmar se há protrusão do dispositivo
Magnitude do gradiente em APE
Observação
ECO em 1 sem, 1 mês, 6 meses
Tende a regredir com crescimento
Reposicionar se ainda não liberado
Se já liberado: seguimento próximo, considerar angioplastia em > 6 meses se persistente
Angioplastia/stent de APE em segundo tempo
Cirurgia (retirada do dispositivo + reconstrução APE) se refratário

Insuficiência tricúspide

  • Específica desta abordagem — o cateter passa pela valva tricúspide para chegar ao PCA via veia femoral → AD → VD → AP → PCA
  • Manipulação pode causar insuficiência tricúspide transitória ou persistente
  • Incidência relatada: ~2-5% (geralmente sem repercussão hemodinâmica)
  • Conduta:
    • Leve: observação — frequentemente melhora com o tempo
    • Moderada/grave persistente: avaliação especializada, raramente requer intervenção valvar

Embolização do dispositivo

  • Rara com seleção adequada (< 1%)
  • Em prematuros, a manipulação cirúrgica de pequenos vasos pulmonares é tecnicamente desafiadora
  • Localizações comuns: artéria pulmonar (mais frequente), aorta descendente, ramos pulmonares

embolização do dispositivo

Dispositivo deslocado / instabilidade hemodinâmica súbita pós-liberação
Avisar Cirurgia Cardíaca + manter sedação/intubação
Suporte hemodinâmico, otimizar ventilação
Localizar dispositivo: fluoroscopia + ECO
(AP, ramos pulmonares, aorta descendente)
Anatomia favorável ao resgate percutâneo? Paciente estável?
Resgate com snare/laço gooseneck pela bainha venosa
(ou trocar por bainha de calibre adequado, evitar lesão vascular)
Resgate bem-sucedido?
Reavaliar PCA
Decidir entre novo Piccolo (tamanho ajustado) ou ligadura cirúrgica
Cirurgia cardíaca de emergência — extração + ligadura cirúrgica do PCA
Cirurgia cardíaca de emergência
(extração + ligadura do PCA)
ECMO se instabilidade refratária como ponte

⚠️ Síndrome pós-ligadura cardíaca (SPLC) — NOVO

Definida como colapso hemodinâmico e respiratório grave nas primeiras 24h pós-fechamento do PCA, exigindo introdução ou aumento >20% no suporte inotrópico E aumento ≥20% nos parâmetros ventilatórios (FiO₂ ou pressão média de via aérea) por ≥1h, após excluir choque séptico concomitante.

Incidência (Duboue et al., Eur J Pediatr 2024 — coorte multicêntrica n=154)

ModalidadeSPLCMortalidadeComplicações maiores
Cirurgia (n=78)15%17%23%
Cateterismo / Piccolo (n=76)0%2%2%

Fatores de risco para SPLC

  • Cirurgia (vs cateterismo) — fator dominante
  • Idade gestacional ≤ 25 semanas
  • Suporte inotrópico já antes do fechamento
  • Pré-carga sistêmica reduzida pré-procedimento

Conduta

  • Hidrocortisona profilática em pacientes de alto risco (em alguns protocolos)
  • Inotrópico (dopamina/epinefrina/milrinone)
  • Suporte ventilatório de alta complexidade (HFO se necessário)
  • Manejo conservador da pré-carga
Implicação prática O risco quase nulo de SPLC com Piccolo (vs 15% com cirurgia) é um dos argumentos mais fortes para preferir o fechamento percutâneo em prematuros de muito baixo peso quando há expertise disponível.

Hemólise por fluxo residual

Rara mas possível — mesmo conceito e manejo do protocolo de PCA > 5 kg (ver seção de hemólise no protocolo > 5 kg). Em prematuros, atenção especial à função renal pelo risco aumentado de IRA.

Lesão cardiovascular

  • Inclui dissecção, perfuração, hematoma, derrame pericárdico, tamponamento
  • Incidência ~0,9%
  • Conduta: suspender manipulação, ECO subcostal imediato, pericardiocentese se tamponamento, cirurgia se sangramento ativo

Nefropatia induzida por contraste

  • Risco aumentado em prematuro pelo perfil renal imaturo
  • Prevenção: minimizar volume de contraste, hidratação adequada, monitorar Cr/diurese 24-72h pós-procedimento
  • Algumas equipes (Nantes/Tours) realizam o procedimento sem injeção de contraste — guiado exclusivamente por TTE + fluoroscopia simples

Complicações de acesso vascular

Trombose femoral, perda de pulso — risco significativamente aumentado em prematuros (calibre vascular pequeno, cateter relativamente grande). Ver protocolo dedicado de Perda de Pulso após Cateterismo.

Resultados e prognóstico

Pivotal Trial Piccolo (Sathanandam 2020, n=200)

DesfechoResultado
Sucesso de implante (≥ 700 g)95,5% (191/200)
Sucesso de implante (≤ 2 kg)99% (99/100)
Oclusão completa em 6 meses~100%
Complicações maiores periprocedimento< 3%
Sobrevida em 3 anos> 95% (cohort completo)

Cateterismo vs. Cirurgia (meta-análises 2024)

  • Mortalidade: transcatheter favorece (2% vs 17%)
  • Complicações maiores: transcatheter favorece (2% vs 23%)
  • SPLC: 0% vs 15%
  • Estabilidade ventilatória pós-fechamento: melhor com Piccolo
  • Curva de aprendizado: maior para Piccolo (proctoring obrigatório nos EUA)

Dados do estudo multicêntrico ADO II — Pivotal Trial (Sathanandam et al., Catheter Cardiovasc Interv 2020), seguimento 3 anos (J Perinatol 2023) e Duboue PM et al. (Eur J Pediatr 2024).

Seguimento ambulatorial

TempoAvaliação
Pós-procedimento imediato ECO em sala / leito + ECO 24h em UTIN
1 semana ECO — confirmar posição e oclusão; descartar obstrução aórtica e estenose APE
1 mês Consulta + ECO
6 meses Consulta + ECO — confirmar oclusão completa; liberar profilaxia ATB
1 ano e anual Acompanhamento cardiológico de longo prazo (especialmente atenção ao crescimento somático e neurodesenvolvimento)
Referências bibliográficas consultadas
  • Sathanandam SK et al. Amplatzer Piccolo Occluder clinical trial for percutaneous closure of the patent ductus arteriosus in patients ≥700 grams. Catheter Cardiovasc Interv. 2020;96(6):1266-1276.
  • Sathanandam SK et al. 3-year follow-up of a prospective, multicenter study of the Amplatzer Piccolo Occluder for transcatheter PDA closure in children ≥ 700 grams. J Perinatol. 2023.
  • Sathanandam SK et al. Consensus Guidelines for the Prevention and Management of Periprocedural Complications of Transcatheter PDA Closure with the Amplatzer Piccolo Occluder in ELBW Infants. Pediatr Cardiol. 2021;42(6):1258-1274.
  • Duboue PM, Padovani P et al. Post-ligation cardiac syndrome after surgical versus transcatheter closure of patent ductus arteriosus in low body weight premature infants: a multicenter retrospective cohort study. Eur J Pediatr 2024.
  • Kaluarachchi DC, Rysavy MA et al. Secular Trends in Patent Ductus Arteriosus Management in Infants Born Preterm in the NICHD Neonatal Research Network. J Pediatr 2024.
  • Iowa Modified PDA Score — avaliação ecocardiográfica de volume do shunt para indicação de fechamento.
  • McNamara PJ, Sehgal A. Critérios ecocardiográficos de PCA hemodinamicamente significativo em prematuros.
  • Georgiev S et al. Mobile bedside ductus arteriosus closure in severely premature neonates using only echocardiographic guidance. Catheter Cardiovasc Interv. 2024.
  • Kuntz MT et al. The Transcatheter Closure of Patent Ductus Arteriosus in Extremely Low-Birth-Weight Infants: Technique and Results. J Cardiovasc Dev Dis. 2023;10(12):476.
  • Manual de Hemodinâmica em Cardiopatias Congênitas — InCor HCFMUSP (protocolo institucional).
Aviso clínico Este protocolo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica e não substitui o julgamento individual do médico assistente. Doses, técnicas e tipos de dispositivos devem ser sempre conferidos em fontes primárias e ajustados ao paciente. Atualizações periódicas são recomendadas.